Mostrando postagens com marcador Ação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Inglorious Basterds


Para começar eu gostaria de dizer que o blog vai, em breve, mudar de endereço e ser reformado. Vou transferir aos poucos as críticas para lá e espero ter mais dedicação e notícias para postar pra vocês.


Ficha Técnica:

Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds) EUA 2009

"Once upon a time, in Nazi-ocuppied France..."

Diretor: Quentin Tarantino

Escritor: Quentin Tarantino

Estúdio: Universal Pictures

Elenco: Brad Pitt, Diane Krueger, Christopher Waltz, Mélanie Laurent, Eli Roth.


Na França ocupada pelos nazistas, um Coronel alemão conhecido como o "caçador de judeus" assassina uma família inteira e planta a semente da vingança no coração da jovem judia Shosanna. Alguns anos depois, um grupo de militares americanos conhecido como "Bastardos Inglórios" está aterrorizando qualquer pessoa que apareça com um uniforme nazista. Estas duas histórias encontram um ponto em comum quando toda a liderança nazista, incluindo Hitler, Goebbls, Goering e Bormann, resolve ir a uma premiére do filme alemão "Orgulho da Nação".

Os filmes de Tarantino são, acima de tudo, escancarados. Nos créditos iniciais, muito similares aos de Kill Bill e Pulp Fiction, já se nota um toque da mente do diretor, toque que permanece durante todo o filme. A história também se adapta à costumeira "loucura" de Tarantino, que explora no melhor estilo do humor negro, um dos sentimentos mais controversos e primitivos tanto do cinema quanto da vida real: a vingança.

Ao contrário da maioria dos filmes de guerra, Bastardos não tem tanta ação embora tenha violência de sobra. Ao invés de priorizar grandes planos e imagens aéreas, Tarantino aposta no íntimo de cada personagem, se utilizando de muitos closes, diálogos longos, e cenas extensas. Os diálogos são densos e perfeitamente dosados em humor, ameaça e estilo. Os silêncios desconfortáveis de quando um assunto termina e a tensão provocada pelo medo na época do nazismo também estão presentes em quantidades absolutamente calculadas, conferindo realidade a um filme tão irrealista.

Logo no início, já percebemos que a realidade retratada no filme é paralela e alternativa à verdadeira realidade da Segunda Guerra Mundial. Hitler é um palhaço nas mãos dos grandes oficiais - e grandes atores - que o cercam. Brad Pitt está impecável como o ultra-americano Tenente Aldo Raine, que lidera os Bastardos. Seu ar de patriota primitivo é convincente e charmoso ao mesmo tempo. Todos os integrantes dos Bastardos tem presenças marcantes, ainda que possuam poucas falas. Diane Krueger brilha em sua aparição breve e mesmo sua beleza estonteante não é capaz de tirar o foco do seu talento.

O verdadeiro brilho no filme porém é o ator austríaco Christopher Waltz, que interpreta o "Caçador de Judeus" Cel. Hans Landa. Fluente em alemão, francês, inglês e italiano, tanto o ator quanto o personagem impressionam o público com as habilidades linguísticas e sua incrível capacidae de intimidar o inimigo sendo simpático e sorridente, em uma alegoria de um palhaço psicótico. Eu estragaria a surpresa se contasse mais detalhes da performance de Landa, mas basta dizer que mesmo o elenco de peso não foi capaz de distrair o público deste relativamente desconhecido ator.

Outro trunfo do filme é o respeito que Tarantino demonstra pela línguas locais. Uma mistura rápida de francês, inglês e alemão, Bastardos é bem sucedido em imergir o espectador na realidade criada por Tarantino, por mais desconexa e absurda que ela possa parecer. O filme é extremamente emocional, violento, político e bem.. Tarantino. Os cenários belíssimos e a fidelidade à paisagem de guerra da França ocupada ajudam a criar um pano de fundo para os dramas pessoais de cada personagem e todos estes elementos unidos são bem sucedidos em criar uma história inteligente, original, supreendente e divertida, ao mesmo tempo em que provoca choque e reflexão. Embora seja um retrato distorcido da Segunda Guerra, Bastardos Inglórios é um retrato perfeito do cinema inventado por Tarantino. Qualquer que este seja.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Harry Potter and the Half-Blood Prince


Ficha Técnica:

Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince) RU/EUA 2009

"Once again, I must ask to much of you Harry"

Diretor: David Yates

Escritores: Steve Kloves (roteiro)

J.K. Rowling (livro)

Estúdio: Warner Brothers Pictures

Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Bonnie Wright, Michael Gambon, Jim Broadbent, Alan Rickman, Helena Bonham-Carter.


Neste sexto filme da série Harry Potter, os bruxos da escola de Hogwarts são forçados a encarar o desafio cada vez mais próximo da batalha com o Lorde das Trevas, Voldemort. Dumbledore incumbe o jovem Harry a uma missão de suma importância antes de revelar um segredo sobre o seu maior inimigo. Enquanto isso, Hogwarts é dominada pelo medo de uma invasão dos Comensais da Morte e mudanças pessoais drásticas ocorrem na vida dos personagens.

Posso dizer que sou fã dos livros de Harry Potter. Não fã alucinada e etc, mas uma grande admiradora que se apaixonou pelos detalhes de um mundo tão cativante. Com a troca de diretores, roteiristas e abordagens, os filmes não foram capazes de sempre fazer jus ao universo delicado e rico de J.K Rowling. Mas felizmente, assim como os livros, as produções foram melhorando, mostrando a capacidade de conquistarem todo tipo de público e de sair do lugar comum (se é que uma escola de bruxaria pode ser comum), para mostrar o lado sombrio, difícil e interessante de uma história que parecia já ter dado tudo o que tinha para dar.

É nesta nova abordagem que o diretor David Yates (que também dirigiu o anterior "A Ordem da Fênix) se apoia. Ele deixa de lado as expressões de assombro de um Harry deslumbrado para dar lugar à transparência das emoções de um menino perturbado pelo seu passado e diante de um futuro incerto e assustador. Harry é, pela primeira vez, confrontado com as verdadeiras dificuldades de ser "o menino que sobreviveu".

Além dos óbvios desafios de enfrentar as artes das trevas, os protagonistas devem lidar (também pela primeira vez) com as dores do amor. Fica mais do que óbvio o romance-que-sempre-esteve-lá, entre Hermione e Rony e, mais complexamente, Harry descobre sua paixão pela menina Weasley de uma forma mais brusca do que no livro, mas ainda assim, sutil o suficiente para encantar.

O filme, em uma mudança inesperada, não deixa de lado os pequenos detalhes que transformam o universo de Rowling em algo tão único, para dar lugar somente ao desespero. Muito pelo contrário. O diretor se esforçou para mostrar que a boa magia (no cinema e no livro) ainda estava lá, com cenas preciosas como a filmagem da loja de traquinagens dos gêmeos Weasley em meio a um beco em ruínas, ou os famosos jantares na torre e os livros flutuando para as prateleiras à medida que Hermione conversa displicentemente com Harry. São estas coisas que são capazes de lembrar ao espectador que ele está assistindo uma história única, sobre magia e beleza, embora todo o mundo pareça desmoronar em volta das figuras que todos aprenderam a amar.

O brilhantismo de David Yates está na dosagem perfeita deste novo lado negro de Hogwarts com romance e comédia moderada. Os encantos infantis, agora desaparecidos, deram lugar ao sarcasmo e à troca de diálogos afiados entre os adolescentes e professores. Surpreendentemente, o trio que sempre foi o mais fraco no quesito atuação, melhorou consideravelmente, deixando de lado a vontade de aparecer pela vontade de fazer o espectador acreditar nas complexas emoções que eles tem que vivenciar. É claro que, perto de talentos estupendos como Michael Gambon que vive Dumbledore, e Alan Rickman, que encarna o duvidoso professor Snape, a atuação dos jovens ainda fica apagada, mas cumpre o propósito de fazer corações novos suspirarem a crítica sorrir.

Mas é, sem dúvida, o lado negro desta nova produção que coloca Harry Potter em um patamar acima, para deixar de ser apenas um filme de fantasia e se transformar em um espetáculo de câmeras, falas, choros e risadas. Ele é extremamente bem sucedido em colocar o espectador dentro de Hogwarts, nas ruas apertadas do Beco Diagonal ou na -agora não tão alegre - Hogsmeade.

Este sexto filme deixa os espectadores e fãs com água na boca, ansiosos pela última parte da série que, para os desavisados, será dividida em duas: uma com a estréia prevista para 2010 e a outra para 2011. É hora de aguardar por Harry Potter e as Relíquias da Morte e comprovar se ele vai conseguir finalizar com a chave de ouro que acabou de ser apresentada ao mundo.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Transformers: The Revenge of the Fallen


Bom eu não posso pedir desculpas o suficiente para mim mesma e para vocês para não estar atualizando o blog, mas antes tarde do que nunca. E agora, ao filme de hoje.


Ficha Técnica:

Transformers: A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen) EUA 2009

"Revenge is coming"

Diretor: Michael Bay

Escritores: Ehren Kruger e Roberto Orci (história)

Estúdio: DreamWorks SKG

Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Ramon Rodriguez.


Dois anos depois do combate travado entre os Decepticons e os Autobots no planeta Terra, uma vingança começa a ser planejada. Um grupo de Decepticons que permaneceu escondido procura um fragmento do cubo que foi destruído por Sam Witwicky para ressucitar uma arma lendária.

Sempre achei mais fácil falar mal de um filme do que falar bem. Talvez seja por isso que todos os críticos são tão chatos. Os defeitos são sempre mais berrantes do que as qualidades. Mas Transformers, embora tenha uma ENORME quantidade de defeitos, escapa das garras do público que já entra na sala de cinema tendo certeza que vai amar o filme que conquistou tantos em sua primeira versão.

Chega a ser difícil organizar a enormidade de fatores que tornam Transformers, no mínimo, fraco. O mais geral é a tentativa absolutamente ridícula de ter uma história para embasar os combates. O enredo não é nem um pouco convincente e faz uma tentativa fraca de engalobar o espectador enquanto lhe dá uma série de informações furadas para engolir.

Passando disso, vamos ao segundo defeito mais grave: a duração. E não estou me referindo a duração do filme no total embora esta também seja reprovável. Estou me referindo aos combates violentos e intermináveis entre cada meia dúzia de robôs a cada cinco minutos de filme. Em uma hora, mal é possível aguentar ver mais pedaços de metal voando e monumentos sendo arrebentados pelas criaturas gigantescas. As lutas são bem feitas, elaboradas e tudo que faz um bom filme de ação, mas são completamente assassinadas pela duração insuportável das mesmas. A última cena no deserto, literalmente dá vontade de levantar.

E falando em deserto, vamos falar de roteiro um pouco. Tudo bem, o ponto que vou levantar talvez não seja tão crucial em um filme onde a inteligência do roteiro não é levada em conta. Mas dizer que vão largar alguém no golfo de Aqaba, cair em cima das pirâmides e ir andando até Petra, é uma estupidez digna de amadores. Se você não entendeu, que ótimo. Se quer entender pegue um atlas e verifique bem a asneira.

Terceiro: nosso brilhante elenco e suas pífias tentativas de humor inteligente. Shia Labeouf é bom. Só bom. Mas infelizmente, depois de fazer tantos filmes, ele virou uma espécie de Hugh Grant de ação: seu papel é sempre de... Shia LaBeouf. O menino Ramon Rodriguez é simplesmente Shia LaBeouf-versão latino americana. E Megan Fox.. Ah Megan Fox. Completamente incapaz de atuar, mas talvez a única que cumpre o seu propósito no longa confuso e estapafúrdio: o de ser um acessório de cena, um mulherão que entende de carros e os conserta de short. Aliás, é assim que ela aparece na primeira cena, mas sua dobrada sobre o capô do Camaro em Transformers 1 ainda ganha o prêmio.

Michael Bay tem um talento extraordinário para dirigir filmes gigantescos de ação como Transformers. Mas este novo projeto em nada se assimila a outros como os brilhantes Armageddon e A Rocha. A impressão é que Bay teve dó de deletar algumas cenas que lhe custaram milhões de dólares e acabou fazendo uma salada, consciente de que seus espectadores, que tem Megan Fox suada e um monte de robôs se quebrando, não iam prestar atenção alguma no que estava acontecendo além disso.


NOVIDADES: Sim, Transformers 3 já está em produção e a previsão é de que saia por aqui em 2012. A expectativa aumenta...


Fico por aqui hoje!

Até breve!

terça-feira, 23 de junho de 2009

City of Ember


Ficha Técnica:

Cidade das Sombras (City of Ember) EUA 2008

"Lights out"

Diretor: Gil Kenan

Escritores: Caroline Thompson (roteiro)

Jeanne Duprau (livro)

Estúdio: Walden Media

Elenco: Saoirse Ronan, Harry Treadaway, Bill Murray, Tim Robbins, Lucinda Dryzek


Quando o mundo acabou, uma cidade subterrânea foi construída para durar apenas 200 anos. Mas a caixa que continha as instruções para sair de Ember se perdeu ao longo das gerações e os cidadãos se conformaram com o conforto de viverem seguros na cidade. Mas o tempo acabou e cabe a dois jovens Lina e Doon, descobrir a saída que pode salvar a população de Ember.

A Walden Media ganhou destaque quando lançou sob o seu selo o filme "As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa". O sucesso de Nárnia levou a Walden Media a definir uma linha para as suas produções que mais tarde viriam a incluir "Ponte Para Terabítia", "Meu Monstro de Estimação" e "Príncipe Caspian". O que todas estas histórias tem em comum? São protagonizadas por crianças que vivem aventuras e aprendem lições sobre a própria força. A fórmula pode ser exaustiva, mas funciona e muito bem. Todos os filmes são capazes de prender o espectador pela força das atuações mirins (ao contrário de filmes como Harry Potter) e pelos magníficos cenários do inimaginável.

A história não é diferente com Ember. A cidade é simplesmente hipnotizante e um pouco claustrofóbica e consegue imergir o espectador em seu universo logo nos primeiros minutos. As atuações de Saoirse Ronan, indicada ao Oscar por Desejo e Reparação e do novato Harry Treadaway roubam a atenção de atores muxoxos como Bill Murray. Ember é uma espécie de Zion infantil, onde a vida é regida pela eletricidade, mas relembra mais as ditaduras do passado quando castiga aqueles que questionam sua realidade, em uma alusão às religiões radicalistas.

Embora tenha bom cenário, bons atores e boa direção, Ember não consegue escapar de diversas falhas de roteiro. Os ângulos de câmera inusitados e interessantes tentam deixar a história mais movimentada e emocionante do que realmente é. A expectativa é alta no começo e ainda maior no meio, quando Lina e Doon são forçados a enfrentar a tirania de um governante que sempre teve a última palavra, mas ela desmorona mais para frente, quando o espectador finalmente percebe que a missão dos jovens não vai ser assim tão difícil.

É neste ponto que Ember se diferencia de outras produções da Walden Media. Não é necessária nenhuma superação pessoal ou embate moral para que os personangens descubram a solução para os seus problemas. O plano se apresenta como uma sucessão de coincidências e com uma única e patética tentativa de intervenção por parte do prefeito da cidade, o pífio vilão da história. Quando fica claro que não haverão mais tentativas de impedir a dupla, o filme se torna uma simples passagem do tempo, já que o conflito final foi solucionado praticamente na metade de sua duração.

Como aconteceu com filmes como Eragon, a história é corrida demais e não dá muito tempo para que o espectador se envolva com as emoções tão confusas dos personagens. Posso praticamente garantir que o livro funciona bem melhor em mergulhar o espectador na agonia óbvia da contagem regressiva, fator que, sem esforço nenhum, consegue ser aflitivo. Assim que o ler, confirmo para vocês minhas suspeitas. Ember é sim, um bom filme, repleto de qualidades que fazem valer a pena assisti-lo. Mas infelizmente desperdiça a sua capacidade de ser muito mais.


Fico por aqui hoje!

Até breve!


segunda-feira, 15 de junho de 2009

Tropic Thunder


Ficha Técnica:

Trovão Tropical (Tropic Thunder) EUA 2008

"The movie they think they're making...isn't a movie anymore"

Diretor: Ben Stiller

Escritores: Ben Stiller, Ethan Cohen e Justin Theroux (roteiro)

Estúdio: DreamWorks SKG

Elenco: Ben Stiller, Jack Black, Robert Downey Jr., Tom Cruise, Mathew McConaughey, Mickey Rourke


Um elenco de grandes astros se une para filmar "o melhor filme de guerra já feito". Mas tudo dá errado quando um autor psicopata e um diretor estreante resolvem levar os atores para o meio da mata no Vietnã para que eles sintam o verdadeiro medo da guerra. A equipe se separa, e o que os atores acreditam ser um filme é, na verdade, um verdadeiro combate com os traficantes locais.

Tropic Thunder começa de um jeito inusitado. Antes mesmo dos créditos, do nome dos estúdios, ou de qualquer outra informação, o filme mostra tres trailers que pintam os retratos dos seus personagens. Ben Stiller é o ator de ação, em uma sátira clara aos tipos Vin Diesel e Van Damme. Jack Black é o comediante, rei do besteirol, como Eddie Murphy nos terríveis filmes do professor aloprado. E Downey Jr. é o vencedor do Oscar, exageradamente comprometido com os papéis e envolvido apenas com filmes dramáticos. Os trailers são surpreendentemente inteligentes e engraçados, pegando o que Holywood tem de pior e expondo dentro de sua própria obra, em uma espécie de metonímia às avessas.

A proposta que é iniciada nos trailers era a intenção de Ben Stiller para o filme todo. Mas ela não se sustenta por nem mais cinco minutos. Quando a verdadeira história se desenrola, o espectador tem suas expectativas frustradas ao ser atirado em mais um filme de piadas forçadas e óbvias em um filme com claras intenções de ser mais inteligente do que seu diretor permite que ele seja. Tropic Thunder cai logo no estereótipo americano do engraçado, que infelizmente inclui muito palavrão, bastante nojeira e Jack Black.

Já é difícil engolir a atuação sempre igual e sempre patética de Ben Stiller. A mistura fica ainda pior quando adicionamos a absoluta falta de criatividade e a irritante mania de ser escandaloso de Jack Black. Além disso, basta ver que o filme é dirigido, produzido, estrelado e escrito por Ben Stiller para saber que coisa boa não pode ser. Alguns momentos inteligentes como a sátira ao brilhante Apocalipse Now ainda mostram que o filme não foi um absoluto desperdício de dinheiro e tempo, mas passou bem perto.

Ironicamente, o único elemento positivo no filme é Robert Downey Jr. Recuperado da fossa pela qual passou antes do sucesso de Iron Man, o Downey mostra uma de suas melhores faces como o ator que se transforma em afro-americano e se mantém no papel o tempo inteiro, criticando os extremismos que as estrelas de Hollywood dizem fazer para garantir boas atuações. O papel rendeu uma indicação ao Oscar para Downey Jr. e é desnecessário dizer, que embora o filme seja um fracasso, o ator não deve ter se arrependido de se envolver nele.

Infelizmente, nem mesmo o brilhantismo de Robert Downey Jr, é suficiente para fazer de Tropic Thunder um must-see. O filme se arrasta por longas e repetitivas cenas que nem se esforçam para disfarçar que Ben Stiller é o elemento central em que todas as atenções devem se focar. As aparições de Mickey Rourke e Tom Cruise, muito elogiadas, não conseguem dar o sopro de ar fresco que tornaria o filme suportável ou ainda divertido. As boas falas se perdem na infinidade de baboseiras que recheiam o roteiro e no meio de toda a confusão não é possível apreciar os bons ângulos de câmera ou as músicas no mínimo divertidas, que poderiam salvar Tropic Thunder do colapso.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

terça-feira, 19 de maio de 2009

X-Men Origins: Wolverine

Ficha Técnica:

X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine)

Diretor: Gavin Hood

Escritores: David Benioff e Skip Woods (roteiro)
Stan Lee (quadrinho)

Estúdio: 20th Century Fox Film Corporation

Elenco: Hugh Jackman, Live Schreiber, Lynn Collins, Dominic Monaghan, Taylor Kirstch, Will.I.AM, Ryan Reynolds

O filme X-Men Origins conta a origem do amado personagem da Marvel, Wolverine. Depois que o garoto James Logan sofre uma tragédia e descobre que é mutante, ele e seu irmão Victor fogem e constroem uma vida juntos, sempre participando de guerras e combates. Quando o Coronel William Stryker convoca ambos para uma equipe composta somente por mutantes, James e seu irmão passam a ver uma oportunidade nos seus dons. A ilusão não dura e James, que posteriormente ficaria conhecido como Wolverine, inicia uma guerra com Victor e Stryker, que iria durar por muitos anos depois do fim desta história.

Wolverine sofre de um mal que acomete quase todas as grandes produções de hoje: a expectativa. Embora a publicidade excessiva e os olhos ansiosos dos fãs ajudem no faturamento, elas prejudicam a qualidade. Não no sentido de que o filme fique ruim, mas é extremamente difícil agradar a todas aquelas pessoas que querem ver seu herói de antigamente com glória e perfeição nas telas.

Primeiramente: cinema é diferente de quadrinho. Sou fã dos dois e embora já tenha me decepcionado com muitas produções, Wolverine não foi uma delas. Segundo: atores são pessoas e jamais poderão corresponder à visão que cada fã tem de um personagem. O truque então, é apostar na qualidade da produção (quase) independente de sua origem.
Wolverine é um filme de ação e não é de se esperar que ele ofereça jogos de câmera diferentes. Mas em uma de suas primeiras cenas, o longa surpreende e mostra uma qualidade técnica excepcional, mas que infelizmente não se mantém. Uma seqüência durante os créditos iniciais mostra a vida de James e do irmão evoluindo através das guerras civil, mundial, vietnã... Nestes poucos minutos de stills e cortes perfeitos, regados de efeitos bem dosados, o universo dos personagens é apresentado e nós presenciamos a construção de suas personalidades sobre panos de fundo extremamente atraentes.

Esta cena basta para fisgar o espectador, mas o restante é bastante óbvio. Algumas cenas de ação muito exageradas e dispensáveis além de tentativas excessivas de cenas “de efeito”, fazem cair a qualidade do filme. Ainda assim, o talento de Hugh Jackman, o charme do tão esperado Gambit e a fragilidade da situação dos mutantes ainda no principio consegue tirar o filme do fracasso e transforma-lo em uma diversão com muitas explosões e piadinhas. Nada soberbo ou original, mas puramente divertido.

Fico por aqui hoje!
Até breve!

sábado, 9 de maio de 2009

Star trek


Ficha Técnica:

Star Trek (Star Trek) EUA 2009

"The future begins"

Diretor: J.J Abrams

Escritores: Roberto Orci e Alex Kurtzman (roteiro)

Gene Roddenberry (série)

Estúdio: Bad Robot

Elenco: Zachary Quinto, Chris Pine, Eric Bana, Zoe Saldana, John Cho, Simon Peg, Karl Urban


Star Trek narra o princípio das histórias dos infames Capitão James T. Kirk, Spock e todos os outros membros da U.S.S Enterprise. Sob a ameça de um ataque romulano e a iminente destruição do planeta Vulcano, a nave U.S.S Enterprise parte para sua primeira e histórica missão com a equipe que conquistou milhões de fãs no mundo inteiro.

Como falar de Star Trek sem ferir a lenda? Os fãs da série, conhecidos como os maiores geeks da cultura norte americana certamente ficaram de olho nesta nova produção, com temor de que a ambição de Hollywood por ser sempre grande pudesse estragar a delicadamente construída reputação deste ícone da TV. Como pessoa que tem fé na capacidade do cinema de ressucitar grandes ícones, fiquei simplesmente estarrecida. Como conhecedora, mas não fã, de Star Trek, fiquei extremamente satisfeita.

Star Trek conquista nas primeiras cenas: agitadas, nobres, sensíveis e épicas. A introdução do universo e dos charmosos personagens ficam claras nas primeiras explosões e trocas de diálogo afiados. Impossível não se sensibilizar com a atitude heróica do Capitão George Kirk e não ficar abalado com aquela pequena figura de orelhas pontudas e olhos ferinos que demonstram um dilema que é construído de forma sutil e magnífica. Não fosse por estas grandes cenas que abrem a produção, talvez o impacto não seria o mesmo.

Mas, ao contrário de muitos filmes que apostam nas exaustivas cenas de efeito, Star Trek mantém a qualidade, transportando mesmo os espectadores alheios ao universo de Klingons e Vulcanos a uma aventura pelo espaço como somente Star Wars tinha conseguido. Esqueçam os clichês. Este novo Star Trek paralisa o olhar com cenas espetaculares e acima de tudo com personagens capazes de direcionar a atenção para eles, mesmo quando o universo está se desfazendo pela janela da imensa U.S.S Enterprise.

Spock é, sem dúvida alguma, o trunfo do filme. Com olhar penetrante e uma frieza que conquista, Zachary Quinto, conhecido por seu papel em Heroes, é o anti-herói ideal, torturado por uma indecisão que remonta ao seu nascimento e forçado constantemente a superar seus próprios limites. Kirk é o bonitão, mas nem por isso deixa de divertir. Suas constantes panacadarias e sua capacidade inacreditável de se colocar nas piores situações possíveis certamente redefinirão o padrão do personagem para todos. E se a complexidade dos personagens não bastasse, a execução de uma história não tão original para que fique brilhante certamente o faria. O visual do filme, com sua naves gigantescas e sua completa falta de compromisso com o real que conhecemos, é espetacular no sentido grandioso da palavra. Não falta diversão para quem simplesmente quer ver uma troca de tiros e muitas explosões.

Por todos os ângulos, Star Trek é brilhante. Ele consegue domar todos os rebeldes e sem dúvida alguma carregar mais alguns adeptos à cultura dos klingons que creio eu, depois de tão magnífica obra, não será mais tão geek.


Fico por aqui hoje!

Até a próxima!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Knowing


Gente o blog está carente mesmo! Eu juro que estou tentando atualizar, mas eu mal mal tenho tido tempo de ver filmes!

Eu sinceramente espero que vocês tenham paciência né? Vamos tentar retomar em Maio porque Abril foi um fracasso! Ironicamente eu vi muitos filmes novos nos cinemas, na TV e em DVD, mas as críticas virão!

Então ao filme de hoje!


Ficha Técnica:

Presságio (Knowing) EUA 2009

"Knowing is Everything"

Diretor: Alex Proyas

Escritores: Ryne Douglas Pearson e Juliet Snowden (roteiro)

Estúdio: Escape Artists

Elenco: Nicolas Cage, Rose Byrne, Lara Robinson, Chandler Canterbury


Um grupo de alunos enterra uma cápsula com suas visões do futuro em 1959. Uma menina porém, Lucinda, não faz nada além de uma folha coberta por números na frente e no verso. 50 anos depois, a cápsula é aberta e o menino Caleb Koestler recebe a misteriosa folha de Lucinda. Seu pai, John, observa a folha e percebe que os números são datas e outros dados de catástrofes que já aconteceram e ainda vão acontecer em diversos lugares do mundo. Ele se encontra então em uma busca desenfreada pela verdade, que o irá levar a uma descoberta assustadora.

Presságio não é lá muito original na sua premissa: o fim do mundo. Este tópico já foi exaustivamente explorado, mas por motivos quase transcendentais, os espectadores continuam comprando as mirabolantes teorias da conspiração que levam à fantasia de sua própria destruição. Seja porque a humanidade gosta de se ver punida ou porque a boa e velha morte de alguns não satisfaz mais, a fórmula faz sucesso. E Presságio sabem bem disso, se utilizando de todo tipo de baboseira que puder encontrar para mostrar que os sinais estão bem na nossa frente.

E se há uma coisa que o espectador gosta mais do que o fim do mundo, é sua superioridade no conhecimento. As pessoas gostam de saber o que as outras não sabem, de participar daquilo que os mortais nem sabem que existe. Nicolas Cage interpreta justamente um homem fascinado com essa verdade. Ele vê em si mesmo a chance de se tornar um novo salvador da humanidade com seu interminável conhecimento de uma folha de papel. E aí começa o primeiro erro do filme: um homem relativamente descrente e desiludido, que, de uma hora para a outra passa a enxergar significado em uma folha que pessoas do seu tipo queimariam. E, inexplicavelmente, Cage passa a querer estar em todos os lugares onde as supostas tragédias vão acontecer. Não é um Messias muito inteligente.

Seu envolvimento inclui cenas desnecessárias como correr para dentro dos destroços de um avião, com um rosto estampado por um choque nada convincente, tirando vítimas do fogo. Como se isso fosse ajudar. Cage não tem sido feliz nas suas escolhas recentes de filme: Lenda do Tesouro perdido 2, Perigo em Bangkok, etc. Acho que o ator foi invadido por uma síndrome Sansão e perdeu a fonte dos seus poderes de discernimento depois que passou a usar implante (o que já é mais um reforço de sua falta de discernimento). O fato é que, Presságio não foge ao padrão.

O filme passa grande parte da sua extensão tentando convencer o espectador de um perigo iminente com jogos de câmera que lembram bem Bruxas de Blair ou Cloverfield e não é muito bem sucedido. A sensação de aflição é só para que o filme acabe e as coisas só ficam piores quando os roteiristas resolvem fazer uma bela salada entre Guerra dos Mundos, Independence Day e uma série de passagens bíblicas, desde Jesus à construção da arca de Moisés. Um sentimento de pena invade qualquer um ao constatar que o diretor Alex Proyas, do excelente "Eu, Robô", foi incapaz de criar o universo charmoso e inteligente como o fez com Will Smith.

Talvez o tópico de fim do mundo ainda mereça alguns filmes. Bons filmes como Armageddon ou Independence Day (embora os EUA continue tomando todas as decisões). Mas Presságio certamente não cumpre sua função de filme revolucionário e muito menos de uma boa aventura. Só mostra a crescente incompetencia de um ator que já fez filmes brilhantes e uma falta de originalidade para explorar um tema complexo.


Fico por aqui hoje

Até breve!

quinta-feira, 19 de março de 2009

The Fugitive


Ficha Técnica:

O Fugitivo (The Fugitive) EUA 1993

"A murdered wife. A one-armed man. An obsessed detective. The chase begins"

Diretor: Andrew Davis

Escritores: Roy Huggins (personagens)

David Twohy (história)

Estúdio: Warner Bros Pictures

Elenco: Harrison Ford, Tommy Lee Jones, Julianne Moore, Sela Ward, Joe Pantoliano


O médico-cirurgião, Dr. Richard Kimble, é injustamente acusado do assassinato de sua esposa. Quando Kimble vai ser transferido para outra prisão, o veículo que o transporta sofre um acidente e ele se vê engajado em uma fuga alucinada do agente Sam Gerard enquanto tenta provar sua inocência, caçando o verdadeiro culpado.

O Fugitivo é prova de que um filme de ação não precisa ter "sacação" para ser bem sucedido. A trama de Kimble é envolvente do início ao fim, muito graças às atuações brilhantes de Harrison Ford e Tommy Lee Jones.

O Fugitivo não foi o primeiro e nem será o último a trabalhar com a trama do personagem que é acusado de um crime que não cometeu, mas a fórmula funciona: o espectador permanece angustiado, ansiando a cada minuto para que justiça seja feita na tela. Obviamente, Kimble é o personagem que todos amamos: um médico amoroso e dedicado, que mesmo no ritmo mais alucinante de fuga, arruma maneiras de ajudar os outros, ou de se ajudar sem prejudicar ninguém.

O ritmo frenético não remonta a filmes do estilo Michael Bay, onde o público mal tem tempo de respirar, mas é brilhante justamente por sua execução dosada, no limiar entre desnortear e entediar o espectador. Tommy Lee Jones, que ganhou um Oscar por seu papel como Sam Gerard, é um policial encantador embora seja clichê: durão, persistente, mas capaz de admitir quaisquer erros que ele possa cometer em sua volúvel profissão. Cenas eletrizantes, bons atores, um roteiro bem montado e parte técnica impecável: O Fugitivo faz sua entrada de honra na lista de filmes que nunca vão envelhecer.


NOVIDADES: Tom Cruise revelou para a imprensa japonesa que está trabalhando na continuação de sua série de sucesso, Missão: Impossível 4. A Paramount, responsável sobre os outros filmes da franquia, não se pronunciou sobre o assunto.


FIco por aqui hoje!

Até breve!

terça-feira, 10 de março de 2009

Watchmen


Chegamos a mais uma marca no Sétima Arte gente! Mais de 150 postagens no ar! UHUUU!! Obrigada a todos vocês que tiraram minutos do dia pra ler minhas tentativas de crítica e espero que vocês continuem a aproveitar o cinema com tudo que ele oferece. A escritora que vos fala está fazendo um curso de crítica e teoria cinematográfica e eu espero brevemente poder dar relatos mais detalhados sobre os filmes que rolam por ai!

E agora ao nosso filme de hoje


Ficha Técnica:

Watchmen (Watchmen) EUA 2009

"Justice is coming to all of us. No matter what we do"

Diretor: Zack Snyder

Escritores: David Hayter e Alex Tse (roteiro)

Alan Moore (graphic novel)

Estúdio: Warner Bros Pictures

Elenco: Malin Akerman, Billy Crudup, Jackie Earle Haley, Stephen McHattie


Depois do assassinato de um dos vingadores, um grupo de justiceiros da década de 70, Rorshac, um dos únicos remanescentes heróis parte em uma busca por vingança e esclarecimento sobre o que está fazendo com que todos os seus amigos desapareçam e deixem de atuar como os justiceiros que um dia foram.

Watchmen foi votado em 2008 como o filme mais esperado de 2009. Não que isso faça alguma diferença no resultado final, mas filmes que tem um marketing tão pesado e adiantado como o de Watchmen acabam tendo que preencher expectativas que o público nem sequer sabia que possuía. O diferencial do filme e da história, porém, é a completa ausência deste duelo entre o bem e o mal, tão comum nas histórias em quadrinhos. Os heróis não são bem heróis e os vilões são aqueles com os quais todos os mortais, reais ou não, precisam lidar todos os dias: guerra, destruição, violência e o apelo emocional da mídia.

O filme é inteiramente focado nos fortes e inúmeros distúrbios emocionais dos antigos justiceiros que veem suas vidas reduzidas a uma rotina anti-natural, incapazes de fazer aquilo que nasceram para fazer. Afinal de contas, como alguém pode deixar de ser um super-herói? Passar de combater o crime para declarar o imposto de renda? É nestas mudanças e nesta crítica sobre como a sociedade é patética, imersa em sua própria rotina infeliz, que o filme se sustenta. Embora tenha um argumento inteligente e original, Watchmen deixa a desejar no quesito ação (que é de se esperar em um filme do seu estilo, ainda que em proporções pequenas) e em alguns personagens que não tiveram suas personalidades trabalhadas pelos atores ou pelo diretor.

O duelo moral e interno de personagens complexos como Rorshac ou o incrível Dr. Manhattan conquista o espectador, mas infelizmente, depois de quase duas horas de duração, ele já não convence mais e o público aguarda ansioso por uma mudança no cenário repetitivo, ansiando por algo inesperado e desesperado para sair das cabeças perturbadas dos personagens que o acompanham.


DICA: Então pessoal, pra ser justa eu recentemente descobri um site muito interessante sobre cinema e o tenho acompanhado durante um tempo. Tem muito material, novidades, críticas e mais um monte de bobagenzinhas para nós cinéfilos. O endereço é http://www.cinemaemcena.com.br/. Aproveitem!


Fico por aqui hoje!

Até breve!

terça-feira, 3 de março de 2009

Tropa de Elite


Ficha Técnica:

Tropa de Elite (Elite Squad) Brasil 2007

"Nas ruas do Rio de Janeiro, só a elite sobrevive"

Diretor: José Padilha

Escritores: André Batista (livro)

Bráulio Mantovani (roteiro)

Estúdio: Zazen Produções

Elenco: Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, Fernanda Machado, Fábio Lago


Em Tropa de Elite, o Capitão Nascimento do batalhão de operações especias do Rio, o BOPE, precisa achar um substituto para ele, as vésperas da visita do papa ao Brasil. Ele é designado para treinar uma nova turma para o BOPE e passa a observar de perto dois aspirantes a agentes: André Matias e Neto.

Tropa de Elite chegou no momento certo para chamar a atenção do mundo para o crescimento do cinema brasileiro. Excelentes atores, cenários impecáveis e uma história cativante já eram suficientes para colocar o filme no topo das listas de críticos e de público. Mas a originalidade da abordagem sobre o crime nas favelas e a fiel retratação da realidade transformam Tropa de Elite em uma experiência política e social que gerou questionamentos em diversos países sobre a situação da "guerra civil" no Rio de Janeiro.

O carisma do implacável Capitão Nascimento o transformou em um ídolo nacional e ajudou o já bem sucedido e talentoso Wagner Moura a mostrar do que era capaz para aqueles que ainda não tinham tido a oportunidade de observar sua atuação. O filme é repleto de conflitos morais extremamente discutíveis, mas que mostra apenas o lado dos policiais, fato pelo qual foi muito criticado. Um dos únicos filmes brasileiros que mostram um elenco não tão "estrela", mas que impressiona na hora de mostrar serviço desde o principal até o figurante.

O cenário do Rio contribuiu para o sucesso do filme e é mais um exemplo de como a realidade que retrata pode tocar muito mais aqueles que estão cientes dela do que aqueles que nem sequer sabiam de sua existência. O filme serviu para mostrar que embora o cinema dê prioridade aos conflitos civis na África ou a guerra no Oriente Médio, o Brasil possui um drama pessoal do tipo mais perigoso: um poder paralelo, escondido dos olhos do globo.


NOVIDADES: A Walden Media em parceria com a FOX definiram a data de estréia do terceiro "As Crônicas de Nárnia" para 10 de dezembro de 2010. Desde que a Disney anunciou que não iria financiar o projeto, rumores correram sobre o cancelamento da produção, mas a Fox se apressou em apanhar as sobras e agora está na cabeça das filmagens que começam no verão americano.


Fico por aqui hoje!

Até breve!



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Mad Max


Ficha Técnica:

Mad Max (Mad Max) Austrália 1979

"The Maximum Force of the Future"

Diretor: George Miller

Escritores: Geroge Miller e Byron Kennedy (história)

Estúdio: Kennedy Miller Productions

Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh-Keays Burne, Steve Bisley


Em uma Austrália futurística, uma espécia de justiceiro sobre rodas chamado Mad Max está sempre a disposição para livrar a cidade de malucos fora-da-lei. Mas quando uma gangue de motoqueiros assassinos, mata sua mulher e o seu filho, Max se vê arremessado em uma espiral de ódio e sede de vingança e fará de tudo para ter sua justiça.

Primeiramente vamos começar pela lenda e depois vamos ao filme. Segundo críticos e notícias até hoje, Mad Max foi um filme que marcou época por sua inovação e capacidade de fazer um bom filme com um orçamento muito baixo. Além disso, é de conhecimento geral que o filme foi responsável por lançar Mel Gibson ao estrelato, tornando-o o astro internacional que é hoje.

Bem, a lenda que me perdoe, mas o orçamento parece ter afetado bem diretamente o resultado. O filme é uma união de cenas, não mal-feitas, mas mal explicadas, sem relevância alguma para a história que por algum acaso também é bem fraca. O elenco é simplesmente péssimo e tenta sem sucesso algum imitar a loucura dos personagens profundos e excelentes do brilhante "Laranja Mecânica" de Stanley Kubrick, o que gerou várias comparações. Se algum deles salva, é realmente Mel Gibson, mas continua sendo um mistério como Mad Max pode ter atraído atenção suficiente para lançar alguém ao estrelato.

Os diálogos são bem fracos, a história não é envolvente e tudo acontece com uma rapidez que não permite que o espectador acompanhe o desenvolvimento das emoções, mas com uma lentidão que o faz ter vontade de interromper o filme ali mesmo. Acredito realmente que Mad Max tenha sido capaz de chocar as pessoas na época em que foi feito, gerando inclusive duas continuações, mas hoje, sinceramente não o recomendo.


NOTÍCIAS: O esperado filme "Os Vingadores" que reúne diversos heróis da Marvel tem sua estréia prevista para 15 de julho de 2011. Samuel L. Jackson já confirmou sua presença no papel de Nick Fury, nesta e em outras oito produções da Marvel como "Iron Man 2", "Thor" e "Capitão América". Além dele, já estão confirmados os atores Robert Downey Jr, que fará novamente o papel do homem de ferro e Don Cheadle, que substituirá Terrence Howard como o Coronel Rhodes.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

The Spirit


Ficha Técnica:

The Spirit (The Spirit) EUA 2008

"My city screams. She is my lover. And I am her spirit"

Diretor: Frank Miller

Escritores: Frank Miller (roteiro)

Will Eisner (quadrinhos)

Estúdio: Lionsgate

Elenco: Gabriel Macht, Scarlett Johansson, Eva Mendes, Samuel L. Jackson, Sarah Paulson, Jaime King, Dan Gerrity


The Spirit é baseada na famosa série de quadrinhos de Will Eisner sobre um policial, Denny Colt, que é assassinado mas volta a vida na forma do defensor de sua amada cidade cujo codinome é Spirit. A vida de Colt é cercada de belas mulheres incluindo sua musa Ellen, seu amor de infância Sand Saref e a própria morte, Lorelei, que anseia para ter o detetive em seus braços. Mas o único e verdadeiro amor de Spirit é sua cidade que lhe dá tudo que ele precisa e o abriga enquanto ele a protege. Spirit se envolve em uma troca poderosa entre Sand Saref e seu arquiinimigo, Octopus, e ele precisa descobrir o que cada um deles pretende.

Frank Miller foi aclamado por "Sin City" e posteriormente por "300" e mostrou ao mundo que ele possui uma forma única de fazer filmes, tornando seu estilo inconfundível. Ele também é responsável pelo quadrinho que deu origem ao filme "Batman Begins" e depois a "Batman: The Dark Knight". Miller constrói e dirige histórias politicamente incorretas, com um humor extremamente refinado, um certo nível de sensualidade e um toque noir no melhor estilo de filmes policiais da década de 50. Essa misturada toda pode parecer colidir, e realmente o faz, mas de uma forma surpreendente que não agrada a todo mundo, mas que é capaz de conquistar completamente outros.

Em The Spirit, Miller realiza seu melhor trabalho. O charme das muitas mulheres e a dureza porém sensibilidade do herói transformam o filme em uma deliciosa e irreverente viagem às paginas dos quadrinhos modernos. Scarlett Johansson como a bela Silken Floss é sem dúvida a melhor atriz do filme, mas ela tem a seu favor a interessante personalidade de Floss, uma mulher séria que não tem muita paciência para os teatros de seu soberano, Octopus. As brigas entre Octopus e Spirit são extremamente divertidas, com um "quê" de exagerado e uma pitada de épico.

O mais original dos filmes de Frank Miller porém é o visual. As cores são fracas, quase pretas e brancas no caso de The Spirit, com destaques para algumas cenas ou objetos de cores mais marcantes como a gravata vermelha do personagem principal - sua marca registrada - ou o brilho das jóias da sensual Sand Saref. Embora o tom seja de sobriedade, Miller arruma espaço suficiente para brincar e seduzir os espectadores com o constante jogo de palavras, o charme dos personagens e a simplicidade da história.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl


Ficha Técnica:

Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl) EUA 2003

"Prepare to be blown out of the water"

Diretor: Gore Verbinski

Escritores: Ted Elliot e Terry Rossio (roteiro)

Estúdio: Walt Disney Pictures

Elenco: Johnny Depp, Keira Knightley, Orlando Bloom, Geoffrey Rush


Quando a filha do governador de Port Royal, Elizabeth Swann é raptada pela maléfica tripulação do infame navio Pérola Negra, o jovem e apaixonado ferreiro William Turner deve procurar a ajuda do homem mais inescrupuloso e incorreto do Caribe: Capitão Jack Sparrow. Sparrow e Turner unem forças para localizar o navio e seu capitão, Barbosa, e descobrem que uma terrível maldição recai sobre os seus tripulantes.

Piratas do Caribe foi inspirado na atração de mesmo nome localizada no Walt Disney World Resort e projetada pelo prórpio Walt Disney. Quem já visitou o lugar sabe que algumas cenas do filme são tão semelhantes ao brinquedo que chegam a dar aflição e o longa conseguiu transmitir toda a magia e aventura bucaneira que seu criador gostaria de ver. O filme é divertido, com belos cenários, ação de primeira qualidade e possui o personangem que viria a se tornar um dos mais carismáticos dos estúdios Disney: o bêbado e engraçado Jack Sparrow. Johnny Depp encarnou o personagem com toda a sua habilidade renomada de excelente ator e o transformou em algo único, um homem que não deixa espaço para mais ninguém na tela, exceto talvez o também brilhante Capitão Barbossa, interpretado por Geoffrey Rush.

A maluquice de caveiras e mortos vivos que poderia ter enfurecido os mais céticos, foi feita com tamanha maestria e estilo que conquistou o coração de todos os que assistiram às peripécias de Turner e Sparrow. Elizabeth Swann é infelizmente apagada na pele da sempre fraca Keira Knightley, mas cumpre bem o seu própósito. As filmagens feitas em alto-mar e os efeitos especiais espetaculares, aliados a uma trilha sonora perfeita do gênio Klaus Baldet, conferem à Piratas do Caribe um status de novo filme de aventuras, onde tudo não precisa ser bobo ou óbvio. O próprio personagem de Jack (que desagradou a Disney no começo) é uma ambiguidade sem fim, politicamente incorreto, mas deliciosamente divertido.

A magia de Disney e a aventura das histórias bucaneiras se combinam para formar esta obra prima do cinema, que ao contrário de suas sequências, possui todas as qualidades necessárias para levar públicos imensos a lugares inimagináveis.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

domingo, 7 de dezembro de 2008

The Italian Job


Ficha Técnica:

Saída de Mestre (The Italian Job) EUA/França 2003

"Get in. Get out. Get even"

Diretor: F. Gary Gray

Escritores: Troy Kennedy-Martin (versão de 1969)

Donna Powders (roteiro)

Estúdio: Paramount Pictures

Elenco: Mark Wahlberg, Charlize Theron, Edward Norton, Donald Sutherland, Seth Green


A equipe de ladrões muito profissionais liderada por Charlie Croker acaba de cometer um grande crime. Perfeito. Mas quando um dos membros da própria equipe trai os demais e custa a vida de alguém, Charlie planeja sua vingança que envolve roubar de volta o que foi tirado deles causando um dos maiores congestionamentos da história de Los Angeles.

Saída de Mestre é baseado em um outro longa de 1969 de Michael Caine, com o mesmo nome. Os tempos mudaram, mas a trama continua sendo charmosa, surpreendente e absolutamente genial. O filme consegue dosar com perfeição as difíceis medidas de ação, mistério e crime deixando o espectador completamente hipnotizado, fascinado, intrigado, curioso e emocionado. A equipe é composta daquelas pessoas incríveis demais para serem verdade: diálogos afiados, flertes sofisticados e um conhecimento fora do normal sobre as mais diversas áreas relacionadas ao roubo. Mas é justamente por isso que o filme consegue ser tão divertido: engraçado de forma inteligente e com perseguições que não são exatamente estilo 007.

O personagem de Mark Wahlberg é bom. Sem muita profundidade, mas tudo que você poderia pedir de um ladrão com bom coração. Charlize Theron é belíssima, mas não precisa se utilizar de sua beleza estonteante para chamar a atenção dos homens ou dos espectadores: ela o faz com presença, sofisticação e um toque um tanto "pessoal" que nos faz imaginar que talvez poderíamos ser como ela. O holofote está, como de costume, sobre Edward Norton, que só não ofusca os colegas pela incrível diversidade de papéis do filme, que dá espaço para que cada personagem se desenvolva com o próprio espaço. Ainda assim, Norton é brilhante, atraente e convincente, no papel provavelmente mais difícil de interpretar: o do único homem que não sabe de tudo.

Aliando a inteligência dos filmes de crime com uma ação explosiva, carros velozes e belos personagens, Saída de Mestre é uma excelente diversão com um "que" de diferente, que merece ser vista por todos os admiradores do cinema.


CURIOSIDADES: O segundo filme da série, entitulado "The Brazilian Job" tem estréia prevista para 2011. O elenco do primeiro filme tem a presença confirmada de volta neste novo longa, com exceção de algumas pessoas. Charlize Theron, Mark Wahlberg e Seth Green são alguns dos que já confirmaram participação na sequência. Com a excelência do primeiro filme e um título tão atrativo, roemos as unhas para ver o que será desta nova obra.


Fico por aqui hoje.

Até breve.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Vantage Point


Ficha Técnica:

Ponto de Vista (Vantage Point) EUA 2008

"8 strangers. 8 points of view. 1 truth"

Diretor: Pete Travis

Escritor: Barry Levy

Estúdio: Columbia Pictures

Elenco: Dennis Quaid, Forest Whitaker, Sigourney Weaver, Ayelet Zurer, William Hurt, Mathew Fox


Quando o presidente Ashton, dos EUA, participa de uma convenção na Espanha para falar sobre terrorismo, os agentes do serviço secreto Thomas Barnes e Kent Taylor são designados para protegê-lo. Uma tentativa de assassinato contra o presidente é cometida e oito completos estranhos vêem o ocorrido sobre perspectivas diferentes, cada uma delas com algo a acrescentar. Se inicia então uma busca frenética pelo assassino que tenta escapar, e as informações são montadas como peças de um quebra cabeça, correndo contra o tempo.

Ponto de Vista pode ser acima de tudo, bem exaustivo. A cena do "assassinato" do presidente é repetida oito vezes para mostra o ponto de vista de cada um, e ela não é uma cena curta. Fora este pequeno contratempo, o filme cumpre bem o seu papel de deixar o espectador tenso, não a tensão de um filme de terror, mas aquela em que é preciso colar os olhos na tela para tentar compreender a história que se desenrola. Os pontos de vista são muito bem explicados e revelam, mesmo que de forma sutil, pistas que envolvem a platéia em uma investigação sincronizada com o elenco.

Forest Whitaker, rouba o brilho de todos os outros, como sempre acontece cada vez que aparece em um filme. O ator dá uma gentileza e simpatia tão grande ao seu personagem que comove o espectador e o faz prestar mais atenção nele do que no rebuliço que se desenvolve na praça lotada. Dennis Quaid e Mathew Fox estão ambos bem fracos: o primeiro pois já se apresenta a algum tempo em uma decadência na carreira. O segundo porque apesar de ter sido lançado para o estrelato como um foguete pelo seriado "Lost", não consegue convencer nem uma criança de seus papéis na telona.

A solução do filme é inteligente e surpreendente, mais do que suficiente para transformar Ponto de Vista em um filme no mínimo divertido. Não esperem ação ao estilo Bourne, ou suspense ao estilo "Silêncio dos Inocentes". Ponto de Vista está mais no patamar de filmes médios, que divertem, mas não marcam.


Fico por aqui hoje!

Até breve!


domingo, 23 de novembro de 2008

Max Payne


Ficha Técnica:

Max Payne (Max Payne) EUA 2008

Diretor: John Moore

Escritor: Beau Thorne

Sam Lake (videogame)

Estúdio: Abandon Entertainment

Elenco: Mark Wahlberg, Mila Kunis, Ludacris, Beau Bridges, Chris O'Donnel


Um policial de Nova York se vê assombrado pelas lembranças do assassinato de seu filho e de sua mulher, onde um dos culpados continua a solta. Max Payne se depara então com uma série de assassinatos que parecem ser conectados entre eles, todos brutais, e todos em vítimas com alucinações e asas tatuadas no pulso. Payne mergulha em uma investigação que acaba por levá-lo a lugares inimagináveis e ele se vê sozinho em sua luta para fugir das autoridades que suspeitam dele e da morte que parece cercar todos os que tentam solucionar o mistério.

Desnecessário dizer que sendo baseado em um dos games mais famosos do mundo, Max Payne criou uma expectativa imensa em torno de sua execução. O trailer do longa prometia algo próximo ao game, com muitos tiros, um personagem amargurado e algo novo: o que parecia ser algo como anjos negros e céus apocalípticos. Bem, esta foi a promessa. O que estreou no Brasil nesta sexta-feira é algo inteiramente diferente. O filme começa misterioso, cores distantes mais ao estilo Frank Miller e logo o mistério dos assassinatos alucinantes capta a atenção do espectador. Mas esta atenção não demora a se dispersar depois de incontáveis tentativas frustradas do detetive Payne de descobrir a razão destes assassinatos.

Em uma hora de filme, é normal sentir que você está sentado no cinema há pelo menos três. Os crimes não são solucionados, a trama não se complica, mas se arrasta deixando a expectativa pendurada por um fio, e este fio se chama Mark Wahlberg. Wahlberg já interpretou policiais durões mais de uma vez e este papel não foi um desafio em particular. Mas o charme durão do ator confere ao personagem a única coisa que ele não pode ter nos jogos: personalidade. Claro que há momentos em que ele é vítima do roteiro excessivamente dramático, mas na maior parte do longa, sua presença é refrescante e tira um pouco do tédio que inevitavelmente se instala em uma platéia suspirante.

Em linhas gerais, Max Payne é mais um filme de ação. Uma pena realmente, já que ele tinha potencial para ser muito mais. Os fãs certamente ficarão desapontados por uma adaptação tão pobre de roteiro que possui um único elemento em comum com o jogo: a quantidade anormal de tiros e mortes que se acumula no caminho de Payne.


ESTRÉIAS: As três grandes atrações do país na sexta foram: A Duquesa, com Keira Knightley e Ralph Fiennes, que conta a história da Duquesa de Devonshire por uma ótica pessoal; o nosso conhecido Max Payne e o suspense Os Estranhos, com Liv Tyler que conta a história de um jovem casal que sofre na mão de assaltantes em uma casa no campo. Fim de ano chegando, muitas estréias a caminho, mas por enquanto vamos curtir estas.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

I, Robot


Ficha Técnica:

Eu, Robô (I, Robot) EUA 2004

"What will you do with yours?"

Diretor: Alex Proyas

Escritor: Jeff Vintar

Estúdio: Canlaws Productions

Elenco: Will Smith, Bridget Moynahan, Allan Tudyk, James Cromwell


No ano de 2034, a grande maioria das funções simples do dia-a-dia são realizadas por robôs. Estes robôs possuem um sistema supostamente infalível de segurança: as Três Leis. A primeira estipula que um robô jamais pode ferir um ser humano. A segunda, que um um robô deve sempre obedecer as ordens um ser humano se não for entrar em conflito com a primeira lei e a terceira, que um robô deve sempre se defender se isto não entrar em conflito com a primeira ou segunda leis. Tudo parece perfeito e seguro. Mas existe um detetive, Del Spooner, que não confia tanto assim nos homens de metal. Quando o criador das três leis Dr. Lanning morre por um aparente suicídio, Spooner é indicado para investigar uma trama que começa com um assassinato, mas que o leva a caminhos nunca imaginados e ele deve correr contra o tempo para salvar os humanos da perda total de sua liberdade.

Nos filmes de hoje, o futuro é retratado com um pouco mais de bom senso, não sendo nunca exibido em anos distantes demais ou mostrando coisas que são tão impossíveis que deixam o espectador alienado. Na década de 50, os filmes mostravam o ano 2000 como o ano dos carros voadores e das comidas em cápsulas. O Det. Spooner de Eu, Robô é exatamente uma crítica a esta imaginação ou desejo automatizado demais. Ele é viciado no seu All-Star (uma relíquia da época), seu som é igual ao que temos hoje, e ele ainda dirige manualmente um carro movido a - vejam só - gasolina. Embora Eu,Robô seja um filme majoritariamente de ação, ele levanta questões cada vez mais presentes no mundo globalizado.

O que é um robô? Do que a chamada Inteligência Artificial é capaz? Um cérebro é suficiente para que um robô assegure o bem estar dos humanos, dotados de princípios éticos e sentimentos que influenciam na tomada de decisões? A resposta para todas as perguntas ainda não existe e justamente por isso fornece material suficiente para Hollywood se esbaldar e criar todo tipo de personagem com conflitos internos ou tramas que mostram a falha das máquinas. Como feito em "Matrix", o diretor Jeff Vintar mostrou o único resultado lógico para um sistema que é mais inteligente e desenvolvido do que o de seu próprio criador: a revolução. Embora um robô não se revolucione por insatisfação, ele pode muito bem fazê-lo por uma associação lógica, puramente consttuída de números que lhe indique que aquela é de fato a melhor opção. Mas o problema da intêligencia artificial está justamente no discernimento que os humanos conseguem fazer: nem sempre o mais lógico é o mais correto.

Os diálogos inteligentes, o enredo instigante, a arte visual brilhante e a atuação sempre impecável do astro Will Smith rendem um lugar a Eu, Robô na prateleira de "filmes pensantes" embora ele não seja pretensioso o suficiente para exigir apenas um público "super gênio". Recheado com ação e pitadas de originalidade.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Rescue Dawn


Ficha Técnica:

O Sobrevivente (Rescue Dawn) EUA 2006

"A true story of survival...declassified"

Diretor: Werner Herzog

Escritor: Werner Herzog

Estúdio: Gibraltar Films

Elenco: Christian Bale, Steve Zahn, Jeremy Davies


Durante uma missão secreta na guerra do Vietnã, o piloto da força aérea americana Dieter Dengler tem seu avião abatido e cai na região de Laos. Dieter é capturado por camponeses e levado a um campo de prisioneiros onde ele e mais cinco companheiros sofrem diariamente com a fome, tortura e tentam armar um plano para fugir no meio da selva.

Se pudesse resumir em uma palavra a experiência de assistir a O Sobrevivente, esta palavra seria surpresa. Christian Bale, eternamente marcado pelo Batman, interpreta um homem forte e obstinado em um lugar onde a última coisa que uma pessoa pode ter é esperança. A história real de Dieter Dengler é repleta de emoção e não há meios de o espectador se manter alheio a realidade que é apresentada cena após cena com uma verossimilhança terrível. As condições de vida dos camponeses já não é boa: calor, insetos, falta comida e abrigo. Mas pior é ser maltratado por estas pessoas e adicionar a todos estes fatores uma dose diária de agressão verbal, humilhação e tortura.

Em uma espécia de recuperação do histórico Apocalipse Now de Coppola, o diretor e escritor Werner Herzog mostra o estado lastimável que as mentes de cada um dos prisioneiros chega depois de tanto tempo envolvido em um ambiente tão desprezível. É melhor ser louco e imaginar uma realidade do que ter de enxergar todos os dias a verdadeira realidade, a mínima chance de escapar e o horror da guerra. Dieter porém encontra forças para manter seus pensamentos organizados e tentar achar uma saída, ajudando os companheiros a manterem a compostura e cuidando deles mesmo quando ele mesmo precisa de cuidados.

Com uma visão peculiar que retrata com lentidão o dia a dia dos prisioneiros, o diretor consegue transmitir ao público boa parte da intensidade de uma história de vida que merece ser lembrada por todos os seus aspectos, da coragem à amizade.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

sábado, 15 de novembro de 2008

007 Quantum of Solace


Ficha Técnica:

007 Quantum of Solace (007 Quantum of Solace) EUA 2008

Diretor: Marc Forster

Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)

Elenco: Daniel Craig, Judi Dench, Olga Kurylenko, Mathieu Amalric, Gemma Artenton


Em busca de vingança pela mulher que amou, Vésper, o agente James Bond começa a seguir a pista de uma organização secreta que se prova mais perigosa do que o MI6 jamais tinha previsto. Os governos corruptos e as agências estrangeiras tentam impedir Bond de localizar a organização Quantum, mas movido pela lembrança de Vésper, Bond se alia a bela agente boliviana Camille para descobrir o que a Quantum pretende comprando gigantescas extensões de terra nos desertos Bolivianos.

Meu nome é Bond, James Bond. Quem esperar ouvir estas palavras não deve assistir a Quantum of Solace. Seguindo a onda que começou com Cassino Royale, o agente britânico foi um tanto reformulado e teve sua personalidade mais detalhada nesta nova versão. Não mais um robô que tem sempre a situação sobre controle, Bond agora é um homem, implacável e feroz, mas ainda assim um homem. Cada cena de ação (e são todas absolutamente de tirar o fôlego) mostra o agente louro em esforços ofegantes e machucados visíveis, mas nada que o impeça de continuar. O charme seguro de Bond ainda está lá, mas não mais demonstrado na forma como ele pede seu martini ou como se aproxima das mulheres. A própria Camille, em momento algum demonstra interesse no agente ou ele nela.

O ritmo de Quantum of Solace é alucinante, mal dando tempo ao espectador para se recuperar entre as perseguições de carro, avião ou a pé feitas em telhados no Haiti. O Aston Martin está lá, sendo destruído, os ternos estão lá perfeitos no corpo escultural de Daniel Craig e a fúria de M por seu agente rebelde também marca presença, mas pelos detalhes, é outro James Bond. Um James Bond moderno, suscetível a falhas, que apanha tanto quanto bate e que acima de tudo também sente o peso das mortes e as pressões da sua profissão. Acredito que seja um encaminhamento para um agente que possamos acreditar, que não use tecnologias impossíveis e que nos deixe em dúvida sobre o seu sucesso.


ESTRÉIAS: Ontem nos cinemas estreou o filme brasileiro "Romance" com Wagner Moura e Letícia Sabatela. O casal de atores Ana e Afonoso busca novos meios de lidar com a relação fora dos palcos enquanto encena a peça Tristão e Isolda, uma das mais famosas histórias de amor da história. Estreou também o longa "Vicky Cristina Barcelona" que conta a história de duas amigas com visões completamente diferentes que se apaixonam pelo mesmo homem quando viajam para a cidade de Barcelona. No elenco, Rebeca Hall, Scarlet Johansson e Javier Bardem


Fico por aqui hoje!

Até breve!