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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Inglorious Basterds


Para começar eu gostaria de dizer que o blog vai, em breve, mudar de endereço e ser reformado. Vou transferir aos poucos as críticas para lá e espero ter mais dedicação e notícias para postar pra vocês.


Ficha Técnica:

Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds) EUA 2009

"Once upon a time, in Nazi-ocuppied France..."

Diretor: Quentin Tarantino

Escritor: Quentin Tarantino

Estúdio: Universal Pictures

Elenco: Brad Pitt, Diane Krueger, Christopher Waltz, Mélanie Laurent, Eli Roth.


Na França ocupada pelos nazistas, um Coronel alemão conhecido como o "caçador de judeus" assassina uma família inteira e planta a semente da vingança no coração da jovem judia Shosanna. Alguns anos depois, um grupo de militares americanos conhecido como "Bastardos Inglórios" está aterrorizando qualquer pessoa que apareça com um uniforme nazista. Estas duas histórias encontram um ponto em comum quando toda a liderança nazista, incluindo Hitler, Goebbls, Goering e Bormann, resolve ir a uma premiére do filme alemão "Orgulho da Nação".

Os filmes de Tarantino são, acima de tudo, escancarados. Nos créditos iniciais, muito similares aos de Kill Bill e Pulp Fiction, já se nota um toque da mente do diretor, toque que permanece durante todo o filme. A história também se adapta à costumeira "loucura" de Tarantino, que explora no melhor estilo do humor negro, um dos sentimentos mais controversos e primitivos tanto do cinema quanto da vida real: a vingança.

Ao contrário da maioria dos filmes de guerra, Bastardos não tem tanta ação embora tenha violência de sobra. Ao invés de priorizar grandes planos e imagens aéreas, Tarantino aposta no íntimo de cada personagem, se utilizando de muitos closes, diálogos longos, e cenas extensas. Os diálogos são densos e perfeitamente dosados em humor, ameaça e estilo. Os silêncios desconfortáveis de quando um assunto termina e a tensão provocada pelo medo na época do nazismo também estão presentes em quantidades absolutamente calculadas, conferindo realidade a um filme tão irrealista.

Logo no início, já percebemos que a realidade retratada no filme é paralela e alternativa à verdadeira realidade da Segunda Guerra Mundial. Hitler é um palhaço nas mãos dos grandes oficiais - e grandes atores - que o cercam. Brad Pitt está impecável como o ultra-americano Tenente Aldo Raine, que lidera os Bastardos. Seu ar de patriota primitivo é convincente e charmoso ao mesmo tempo. Todos os integrantes dos Bastardos tem presenças marcantes, ainda que possuam poucas falas. Diane Krueger brilha em sua aparição breve e mesmo sua beleza estonteante não é capaz de tirar o foco do seu talento.

O verdadeiro brilho no filme porém é o ator austríaco Christopher Waltz, que interpreta o "Caçador de Judeus" Cel. Hans Landa. Fluente em alemão, francês, inglês e italiano, tanto o ator quanto o personagem impressionam o público com as habilidades linguísticas e sua incrível capacidae de intimidar o inimigo sendo simpático e sorridente, em uma alegoria de um palhaço psicótico. Eu estragaria a surpresa se contasse mais detalhes da performance de Landa, mas basta dizer que mesmo o elenco de peso não foi capaz de distrair o público deste relativamente desconhecido ator.

Outro trunfo do filme é o respeito que Tarantino demonstra pela línguas locais. Uma mistura rápida de francês, inglês e alemão, Bastardos é bem sucedido em imergir o espectador na realidade criada por Tarantino, por mais desconexa e absurda que ela possa parecer. O filme é extremamente emocional, violento, político e bem.. Tarantino. Os cenários belíssimos e a fidelidade à paisagem de guerra da França ocupada ajudam a criar um pano de fundo para os dramas pessoais de cada personagem e todos estes elementos unidos são bem sucedidos em criar uma história inteligente, original, supreendente e divertida, ao mesmo tempo em que provoca choque e reflexão. Embora seja um retrato distorcido da Segunda Guerra, Bastardos Inglórios é um retrato perfeito do cinema inventado por Tarantino. Qualquer que este seja.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Up

Ficha Técnica:
Up - Altas Aventuras (Up) EUA 2009

Diretores: Pete Docter e Bob Peterson (co-diretor)

Escritores: Pete Docter e Bob Peterson

Estúdio: Walt Disney Pictures/Pixar Animation Studios

Elenco: Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, John Ratzemberger

Em Up, um velho senhor chamado Carl Fredericksen, resolve realizar o sonho de sua esposa e colocar sua casa no topo do paraíso das cachoeiras, na América do Sul. Para isso, Carl amarra sua casa a milhares de balões e inicia uma aventura muito além das proporções que ele tinha imaginado, na companhia de um escoteiro insistente, um cachorro falante e um pássaro gigante.

Nas palavras de Jon Favreau "está na hora da Disney ganhar um Oscar de melhor filme por Up". A Pixar conseguiu mais uma vez trazer à tona o talento extraordinário dos seus artistas, com mais uma história original, bela e surpreendente.

O estúdio manteve o padrão de heróis nada convencionais que passou por peixes, monstros, brinquedos, insetos e robôs, criando adoravelmente rabugento e obviamente humano Carl Fredericksen.

Pete Docter, o gênio por trás de Os Incríveis, se aliou a Bob Peterson (em sua primeira experiência como co-diretor) e ambos provaram que, como a Pixar sempre diz, investir em novos talentos vale a pena. Receosos de que, com tantos sucessos, o estúdio possa cair na "mesmice", os executivos da Pixar estão sempre dando cargos de direçaõ para novas pessoas, dando oportunidade para que todos executem suas idéias.
O resultado de Up é um espetáculo de cores, sons, sentimentos e humor. A história é, mais uma vez, sobre a superação dos próprios limites, a descoberta do amor e da amizade. E, por mais clichê que esta fórmula possa parecer, com a criatividade dos gênios da Pixar, ela adquire proporções épicas e fantásticas, elevando a animação às mesmas alturas da casa do protagonista.

Os primeiros minutos do filme são dedicados a fazer o espectador entender as razões do personagem, com uma sequencia delicada e emocionante e que acaba por se tornar a maior lição de todas: a vida é uma aventura. Mas, não fosse a obsessão de Fredericksen de realizar o sonho da esposa, ambos admiradores de um aventureiro do passado, nós não teríamos o prazer de presenciar a descoberta do velho senhor sobre as maravilhas ainda ocultas em sua vida.

Os pequenos detalhes tiram Up do setor "história divertida e bom motivo para ir no cinema" e a transformam em uma obra de arte. As posturas e prazeres típicos dos cães, os hábitos irritantemente rotineiros de Carl, a juventude incansável de Russel e a bizarra união destes elementos, nos dá a oportunidade de repensar a beleza da vida de todo dia. Embora Carl passe por uma aventura em tempestades, selvas e rios, é dentro da própria casa (literalmente) que ele descobre quais são as coisas mais importantes.

No seu décimo filme e décimo sucesso, a Pixar prova que tem as ferramentas necessárias para transformar o cinema com criatividade e ousadia. Longe de se preocupar com a concorrência, Jon Lasseter, Ed Catmull e toda a equipe, se mostram cada vez mais atentos ao que o público quer assistir, sem nunca perder a integridade e inteligência de uma das empresas mais bem sucedidas do século XXI.

OBS: Vale a pena prestar atenção no belíssimo curta que precede o longa, sobre cegonhas e as nuvens que criam os bebês.

Fico por aqui hoje!
Até breve!

domingo, 26 de julho de 2009

Comme les autres


Ficha Técnica:

Baby Love (Comme Les Autres) França 2008

Diretor: Vincent Garenq

Escritor: Vincent Garenq

Estúdio: Canal +

Elenco: Lambert Wilson, Pascal Elbé, Pilar Lopez de Ayala, Anne Brochet


Philippe e Emannuele, ou Manu, são dois homossexuais levando uma vida perfeita. Moram juntos, se amam muito e tem muitos amigos. Mas nem tudo é tão perfeito quanto parece: Manu quer, mais do que tudo, um filho. Philippe defende que não é natural que dois gays tenham filhos. Manu decide se separar e tentar de todas as formas adotar uma criança. Quando tudo parece perdido, ele conhece a simpática Fina, que concorda em carregar sua criança se ele se casar com ela para que ela deixe de ser imigrante ilegal na França.

Comédia romântica à francesa. Moderna e irreverente, divertida e talentosa, esta obra prima do cinema tem tudo pra deixar qualquer um pensando e sorrindo. Esta é a grande diferença entre este e os outros filmes do gênero: ao invés de tentar fazer o espectador gargalhar, para no final oferecer uma cena clichê, ele se esforça para faze-lo sorrir e se emocionar aos poucos com uma história tão controversa e original como a de Manu.

Lambert Wilson, que já apareceu em superproduções americanas como Matrix, prova ser capaz de qualquer papel como o elegante, mas inseguro Manu. A maior qualidade do filme, porém, é essa discussão, que começa a ficar cada vez mais evidente, sobre os direitos dos homossexuais. Manu defende a visão de que todos tem o direito de ser pais, independente da opção sexual. Mas muitos, como o próprio Philippe, acreditam que não é natural e pode ser até traumático para uma criança ser criado por pais do mesmo sexo.

Fina, a jovem argentina, aparece para contrabalancear essa equação e para complicar ainda mais a vida já conturbada de Manu. Ela acredita e aceita o amor homossexual de Manu, mas acaba descobrindo uma nova forma de amor. As situações engraçadas não tem a exclusividade de fazer rir, mas de tentar colocar o espectador dentro da mente e do coração de seus personagens, com a dose de drama e romance necessária para fazer pensar.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Tropic Thunder


Ficha Técnica:

Trovão Tropical (Tropic Thunder) EUA 2008

"The movie they think they're making...isn't a movie anymore"

Diretor: Ben Stiller

Escritores: Ben Stiller, Ethan Cohen e Justin Theroux (roteiro)

Estúdio: DreamWorks SKG

Elenco: Ben Stiller, Jack Black, Robert Downey Jr., Tom Cruise, Mathew McConaughey, Mickey Rourke


Um elenco de grandes astros se une para filmar "o melhor filme de guerra já feito". Mas tudo dá errado quando um autor psicopata e um diretor estreante resolvem levar os atores para o meio da mata no Vietnã para que eles sintam o verdadeiro medo da guerra. A equipe se separa, e o que os atores acreditam ser um filme é, na verdade, um verdadeiro combate com os traficantes locais.

Tropic Thunder começa de um jeito inusitado. Antes mesmo dos créditos, do nome dos estúdios, ou de qualquer outra informação, o filme mostra tres trailers que pintam os retratos dos seus personagens. Ben Stiller é o ator de ação, em uma sátira clara aos tipos Vin Diesel e Van Damme. Jack Black é o comediante, rei do besteirol, como Eddie Murphy nos terríveis filmes do professor aloprado. E Downey Jr. é o vencedor do Oscar, exageradamente comprometido com os papéis e envolvido apenas com filmes dramáticos. Os trailers são surpreendentemente inteligentes e engraçados, pegando o que Holywood tem de pior e expondo dentro de sua própria obra, em uma espécie de metonímia às avessas.

A proposta que é iniciada nos trailers era a intenção de Ben Stiller para o filme todo. Mas ela não se sustenta por nem mais cinco minutos. Quando a verdadeira história se desenrola, o espectador tem suas expectativas frustradas ao ser atirado em mais um filme de piadas forçadas e óbvias em um filme com claras intenções de ser mais inteligente do que seu diretor permite que ele seja. Tropic Thunder cai logo no estereótipo americano do engraçado, que infelizmente inclui muito palavrão, bastante nojeira e Jack Black.

Já é difícil engolir a atuação sempre igual e sempre patética de Ben Stiller. A mistura fica ainda pior quando adicionamos a absoluta falta de criatividade e a irritante mania de ser escandaloso de Jack Black. Além disso, basta ver que o filme é dirigido, produzido, estrelado e escrito por Ben Stiller para saber que coisa boa não pode ser. Alguns momentos inteligentes como a sátira ao brilhante Apocalipse Now ainda mostram que o filme não foi um absoluto desperdício de dinheiro e tempo, mas passou bem perto.

Ironicamente, o único elemento positivo no filme é Robert Downey Jr. Recuperado da fossa pela qual passou antes do sucesso de Iron Man, o Downey mostra uma de suas melhores faces como o ator que se transforma em afro-americano e se mantém no papel o tempo inteiro, criticando os extremismos que as estrelas de Hollywood dizem fazer para garantir boas atuações. O papel rendeu uma indicação ao Oscar para Downey Jr. e é desnecessário dizer, que embora o filme seja um fracasso, o ator não deve ter se arrependido de se envolver nele.

Infelizmente, nem mesmo o brilhantismo de Robert Downey Jr, é suficiente para fazer de Tropic Thunder um must-see. O filme se arrasta por longas e repetitivas cenas que nem se esforçam para disfarçar que Ben Stiller é o elemento central em que todas as atenções devem se focar. As aparições de Mickey Rourke e Tom Cruise, muito elogiadas, não conseguem dar o sopro de ar fresco que tornaria o filme suportável ou ainda divertido. As boas falas se perdem na infinidade de baboseiras que recheiam o roteiro e no meio de toda a confusão não é possível apreciar os bons ângulos de câmera ou as músicas no mínimo divertidas, que poderiam salvar Tropic Thunder do colapso.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

sábado, 2 de maio de 2009

I Love You, Man


Ficha Técnica:

Eu te amo, cara (I Love You, Man) EUA 2009

"Are you man enough to say it?"

Diretor: John Hamburg

Escritores: John Hamburg e Larry Levine (roteiro)

Estúdio: Bernard Gayle Productions

Elenco: Paul Rudd, Rashida Jones, Jon Favreau, Jason Segel


As vésperas de seu casamento, Peter Klaven percebe que não tem nenhum candidato verdadeiro para ser seu padrinho, já que ele não tem nenhum amigo realmente próximo. Encorajado pela noiva, Peter começa a procurar um amigo e seu caminho acaba se cruzando com o do irreverente Sidney Fife. Juntos, eles descobrem as alegrias da amizade masculina e os problemas que vem com ela.

Esqueça as comédias românticas convencionais. Eu Te Amo, Cara é uma comédia romântica entre homens heterossexuais. Parece estranho? Pode ser, mas ainda assim o diretor John Hamburg conseguiu fazer a fórmula funcionar, e muito bem. O carismático e abestalhado personagem de Paul Rudd rende algumas risadas, mas é a espontaneidade absoluta do personagem Sidney Fife (Jason Segel) que consegue elevar o filme a um outro patamar.

Já cansamos de ser submetidos ao ritual de "encontro", idolatrado pelos americanos. Eles costumam ser sempre iguais: um restaurante, alguns diálogos afiados, momentos de falta de jeito seguidos por um sucesso absoluto ou um fracasso vergonhoso. Eu Te Amo, Cara se aproveita desta fórmula clichê para criar a mesma situação com homens que simplesmente querem ser amigos. E convenhamos, usar um serviço de internet para achar amigos é um tanto mais constrangedor do que fazê-lo para achar um par romântico.

Os jantares, supostos encontros e as outras tentativas estapafúrdias que Peter utiliza para achar amigos jogam para o espectador um misto de emoções que passa da pena à vergonha, tendo risadas e outros elementos diversos no recheio. Mas quando finalmente Peter acha sua "alma gêmea" em Sidney, o filme assume uma postura mais típica e mostra o quanto a amizade masculina, tão pouco explorada na telona, pode ser bonita em sua simplicidade. Claro que, sendo mulher, eu acredito que não sou completamente capaz de entender exatamente o quão verdadeiro é o retrato pintado no filme, mas como observadora acredito que é convincente o suficiente para agradar até o mais exigente dos espectadores.

O humor do filme é pensado, infelizmente recaindo várias vezes nas piadas de sexo que são excessivas no filme (faz parte do universo masculino? será?). Mas são os pequenos detalhes e a sutileza com que a amizade entre Sidney e Peter flui com naturalidade que transformam Eu Te Amo, Cara em um filme certamente diferente de todos os outros. Não é digno de prêmios, nem de grandes elogios pela parte técnica, mas é absolutamente brilhante e único na proposta de sua execução.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

domingo, 12 de abril de 2009

Singin' In the Rain


Ficha Técnica:

Cantando na Chuva (Singin' In the Rain) EUA 1952

"What a glorious feeling!"

Diretores: Stanley Donan e Gene Kelly

Escritores: Adolph Green e Betty Comden (história)

Estúdio: Metro Goldwyn Mayer Pictures

Elenco: Gene Kelly, Debbie Reynolds, Donald O'Connor, Cyd Charisse, Rita Moreno


O elenco e a equipe de um filme mudo de sucesso percebe a nova tendência do cinema falante e resolve fazer um filme com vozes. O problema é que o filme fica péssimo e eles tem que refazê-lo como um musical. A atriz principal, que é bonita mas tem a voz terrivelmente fina, precisa ser dublada pela talentosa Kathy Selden, que é o amor do protagonista do filme.

Feito na época de ouro de Hollywood, quando os grandes musicais eram o estouro nos cinemas, Cantando na Chuva é um tributo à arte de fazer filmes. Talvez por isso seja tão brilhante. A equipe passa pelas dificuldades enfrentadas pelos estúdios quando os filmes começaram a ser falados e com muita desenvoltura e bom humor, contornam as situações adversas.

É difícil, para não dizer impossível, descrever a experiência de assitir ao filme no século 21, onde se tornou tão fácil criar grandes produções com a abundância de recursos e tecnologia. O charme, a beleza e tudo aquilo que torna o cinema uma arte de emoções está presente no longa, que tem uma facilidade imensa de deixar o espectador encantado e implorando por mais, mesmo depois que as letras muito antigas anunciam o fim daquele espetáculo por cima do letreiro da MGM.

Os personangens são adoráveis, carismáticos e mais apelativos graças aos mestres que os encarnam com tanta perfeição. Os grandes dançarinos da época, Gene Kelly e Donald O'Connor transformam cada cena em um banquete para os olhos, armados de roupas coloridas e sapatos brilhantes que marcam os sons sincronizados no belo sapateado. A famosa cena em que Gene Kelly dança na chuva é apenas uma das muitas em que o ator demonstra o talento que o deixou famoso, com um sorriso mais do que simpático estampado no rosto do que poderia ser um galã comum. Donald O'Connor é igualmente fascinante e fantástico e seu personagem tem exatamente o papel do ator naquela produção: um coadjuvante indispensável que conquista com seu jeito palhaço e, é claro, seu talento exímio para a dança. Cyd Charisse, dona das pernas mais bonitas de Hollywood, faz uma aparição marcante que começa (claro) por suas pernas e marca sua presença, ainda que por alguns minutos, na mente e no coração de quem assiste ao filme.

As músicas e coreografias de Cantando na Chuva, são seguramente eternas e transportam em uma viagem de primeira classe, o espectador deslumbrado, para os grandes musicais da Broadway, para o mundo glamouroso e cheio de possibilidades de Hollywood e para um universo onde tudo é possível, tudo é imperfeitamente perfeito e o fantástico é apenas rotina: o maravilhoso universo do cinema.


OBS: Bom pessoal, desculpem pela falta de atualizações, mas as coisas andam meio corridas e eu não tenho tido tempo de escrever. Tenho muito filmes na lista e eu gostaria também de receber sugestões para o Sétima Arte e para filmes que vocês acham que devem ser comentados. Obrigada!


Fico por aqui hoje!

Até breve!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Intolerable Cruelty


Ficha Técnica:

O Amor Custa Caro (Intolerable Cruelty) EUA 2003

"They can't keep their hands of each others assets"

Diretor: Joel Coen

Escritores: Robert Ramsey e Mathew Stone (história)

Joel e Ethan Coen (roteiro)

Estúdio: Universal Pictures

Elenco: Catherine Zeta-Jones, George Clooney, Geoffrey Rush, Billy Bob Thornton, Edward Herrman, Cedric The Entertainer.


Miles Massey é um advogado de divórcio que tem tudo. Uma impressionante lista de vitórias, dinheiro, sucesso, e o famoso pré nupcial Massey, dito infalível. Quando o tédio atinge sua vida bem sucedida, Massey vê em Marylin Rexroth a chance de um desafio. Depois do divórcio entre Marylin e o cliente de Miles, Rex, a moça acaba sem nada e coloca em prática um plano para se vingar do advogado responsável por arruinar sua meta perfeita de ser milionária dando o golpe do baú.

Em O Amor Custa Caro (tradução bem patética para o português), os irmãos Coen trazem de volta às telas o seu talento inigualável para o inteligente e satírico humor negro. Os personagens são inescrupulosos e interesseiros, mas ainda assim conseguem trazer um charme que nos faz torcer pelo sucesso de suas duvidosas empreitadas. George Clooney e Catherine Zeta-Jones tem uma química perfeita e trocam diálogos afiados, botando a prova a inteligência um do outro.

O Amor... é uma comédia romântica sim, mas muito, muito diferente do que estamos acostumados a ver. A situação já não tem nada de romântica: o mundo da advocacia do divórcio, com golpes e pré nupciais, é o ambiente perfeito para desiludir qualquer um da chance do amor. Mesmo com o dinheiro valendo tudo e Marylin pronta para derrubar Massey no primeiro golpe, a vida conspira a favor do atípico casal que descobre exatamente do que cada um precisa.

Com situações engraçadas como um matador que resolve mudar de vítima ou os tribunais que mais parecem circos, o filme traz estampado em cada detalhe a assinatura irreverente dos irmãos Coen e é uma garantia de diversão inteligente para os espectadores cansados de água com açucar.


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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Bride Wars


Ficha Técnica:

Noivas em Guerra (Bride Wars) EUA 2008

"Before the rings go on, the gloves come off"

Diretor: Gary Winick

Escritores: Greg dePaul e Casey Wilson (roteiristas)

Estúdio: Twentieth-Century Fox Film Corporation

Elenco: Kate Hudson, Anne Hathaway, Bryan Greenberg, Chris Pratt


Duas amigas de infância, sonham desde pequenas com o dia do seu casamento. Um dia, as duas assistem a um casamento no Plaza Hotel em NY, realizado em junho. Desde aquele dia, se fazem uma promessa de que farão seus próprios casamentos em junho, no Plaza. Quando ficam noivas praticamente no mesmo dia, as duas marcam imediatamente os casamentos para Junho, no Plaza, como sempre tinha sido o sonho. Mas devido a um mau entendido, o casamento de ambas é marcado para a mesma data e quando nenhuma delas dá sinais de ceder, começa uma série de sabotagens que envolve bronzeados exagerados e tinta de cabelo azul.

Noivas em Guerra não é nenhum original. Na verdade, é bem típico não fosse a história que finalmente não envolve a descoberta do amor. O filme é, em sua maioria, bobo, sem grandes surpresas, mas extremamente divertido graças as duas excelentes atrizes que contracenam com um talento impecável. Tanto Anne Hathaway quando Kate Hudson demoram segundos para conquistar de vez a simpatia do público que se sente praticamente obrigado a rir das peripécias das duas beldades. Hathaway faz o papel de Emma, a amiga carinhosa e que não consegue se impor enquanto Hudson é Liv, a bem sucedida e forte, mas que por isso desgrada a maioria das pessoas.

A história deixa uma lição, capaz de tocar apenas o coração das mulheres, pois só elas entendem a cumplicidade existente na amizade feminina. Embora passem o filme todo tentando se matar e destruir o casamento uma da outra, elas sabem que no fim de tudo, a única pessoa com quem realmente podem contar é sua melhor amiga. Os noivos são apenas coadjuvantes e o diretor fez questão de mostrar que eles estão ali cumprindo o sonho delas: de um casamento. Mas quem seria o homem nunca fez parte da história e tampouco faz parte do filme. Impossível se destacar perto de Hathaway e Hudson que provam em seus papéis bem executados que a amizade é realmente eterna.


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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

What Happens in Vegas


Ficha Técnica:

Jogo de Amor em Las Vegas (What happens in Vegas) EUA 2008

"Get Lucky"

Diretor: Tom Vaughan

Escritores: Dana Fox

Estúdio: Twentieth Century Fox Film Corporation

Elenco: Ashton Kutcher, Cameron Diaz, Lake Bell, Rob Corddry


Joy é uma mulher trabalhadora e que acaba de levar um fora. Jack é um rapaz inconsequente que acaba de ser despedido pelo próprio pai. Ambos encontram o mesmo remédio para curar os problemas: Las Vegas. A viagem porém toma rumos inesperados quando Jack e Joy se conhecem, afogam as mágoas no álcool e se casam. Decididos de imediato a se separar, tudo muda quando um prêmio de 3 milhões de dólares cai nas mãos do casal que é sentenciado a seis meses de casamento forçado para dividir o dinheiro. Ambos farão de tudo para transformar a vida um do outro em um verdadeiro inferno.

Jogo de Amor em Las Vegas não é ambicioso, tampouco inteligente ou original. É mais um daqueles filmes de amores que acontecem quando menos se espera e onde uma grande lição espera os protagonistas e o espectador de braços abertos no final. Mas por Cameron Diaz e Ashton Kutcher, ele consegue ser extremamente divertido. Os atores tem uma química hipnotizante nas telas e embora Kutcher seja o mesmo paspalho infantil de sempre, Cameron Diaz compensa todas as suas falhas com a graça abobalhada e adorável que lhe rendeu o posto de uma das queridinhas da América.

A história é no mínimo divertida: o jogo sujo de ambas as partes conta com armas que todos sabemos que só poderiam acontecer no cinema e justamente por isso conseguem arrancar risadas sinceras de uma platéia distraída. Uma comédia romântica mais comédia do que romântica, que conta com excelentes diálogos desenvolvidos com muita naturalidade tanto pelos protagonistas como pelos pequenos outros personagens que dividem a história como Queen Latifa no papel da terapeuta matrimonial e a estrela em ascensão Lake Bell. O filme ideal para uma tarde de diversão light.


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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Burn After Reading


Ficha Técnica:

Queime Depois de Ler (Burn After Reading) EUA 2008

"Inteligence is relative"

Diretores: Joel e Ethan Coen

Escritores: Joel e Ethan Coen

Estúdio: Focus Features

Elenco: Brad Pitt, John Malkovich, George Clooney, Tilda Swinton, Frances McDormand.


Um ex-analista da CIA é despedido e resolve iniciar um livro com suas memórias. Traído pela mulher fria, Osbourne Cox é agressivo e impaciente e inicia sua jornada com uma enorme confusão. O disco contendo informações e suas memórias da agência acaba caindo nas mãos de dois inescrupulosos e nada inteligentes trabalhadores de uma academia: Chad Feldeheimmer e Linda Litzke, que tentam vendê-lo de qualquer jeito, criando uma divertida e perigosa confusão que envolve amantes, agentes, alheios e todo tipo de mal entendido possível.

Joel e Ethan Coen atraíram a atenção dos críticos com o elogiado "Onde os Fracos não tem Vez" que levou o Oscar de melhor filme neste ano. Em Queime Depois de Ler, os irmãos Coen mostram novamente a genialidade e originalidade absurdas e deliciosas que possuem. O filme é completamente diferente de tudo que já foi feito, quase não podendo ser encaixado em um gênero. O humor é perfeitamente negro, deixando o espectador surpreso em cada cena. A sucessão de eventos é mais estranha do que se podia imaginar, e envolve uma série de comportamentos potencialmente psicopatas de pessoas completamente diferentes, unidas pelas estranhas circunstâncias da vida.

O elenco não podia ser melhor. A escolha de Brad Pitt para encarnar o completamente retardado Chad parece inusitada já que ele é o costumeiro galã. Mas Pitt é também um excelente ator e prova ser capaz de tudo ao representar com genialidade de gente grande o tapado trabalhador da academia. Chad faz par com o personangem igualmente carismático de Frances McDormand, e juntos eles formam uma dupla que simplesmente tinha tudo para dar errado: os únicos que aparentemente ainda não sabem que a Guerra Fria acabou e que julgam o punhado de informações inúteis que tem, suficientes para entrarem em uma espécie de submundo da espionagem.

Unindo uma direção impecável a um roteiro original e às cenas completamente íntimas e reconhecíveis, Queime Depois de Ler vai além do patamar da típica comédia, mostrando uma situação inédita com inteligência e irreverência dignas de aplausos de pé. Uma excelente escolha, qualquer que seja o seu gosto.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Bruce Almighty


Ficha Técnica:

Todo Poderoso (Bruce Almighty) EUA 2003

"How would you handle the most awesome responsibility in the Universe?"

Diretor: Tom Shadyac

Estúdio: Universal Pictures

Elenco: Jim Carrey, Jennifer Aniston, Morgan Freeman, Steve Carell


Bruce é um cara comum, mas que depois de não conseguir o emprego de âncora em uma rede televisiva começa a reclamar que Deus está pegando no seu pé e dificultando sua vida. Em uma virada inesperada, Bruce se vê cara a cara com o criador que resolve então deixar que Bruce tenha uma pequena amostra das suas dificuldades. Bruce consegue os poderes de Deus e aprende que é mais difícil controlá-los do que ele pensava.

Mudando de gênero, mas não de ator, encaramos esta comédia brilhante sobre as pequenas dificuldades da vida e o quanto é importante superá-las sem ajuda. Bruce é um dos muito que aprende que embora tenha poderes, isso não quer dizer o fim dos suas preocupações, especialmente porque ele não pode controlar o coração da mulher que ama e precisa prestar atenção no que todas as outras pessoas querem.

De forma inusitada, Todo Poderoso dá uma bela lição sobre a vida. E é realmente de forma inusitada: algumas das grandes passagens da Bíblia são satirizadas, como a abertura do mar vermelho feito por Bruce em uma tigela de sopa de tomate e a era digital entra como uma não-tão-perfeita solução para todos os problemas do mundo quando Bruce tenta responder as milhares de preces que recebe via e-mail. Uma das coisas mais interessantes porém, é quando Bruce, cansado de ter de pensar em tantos problemas, resolve dar as pessoas o que elas querem. Quando uma confusão se instala, é hora de Deus intervir e dizer: "Bruce, desde quando as pessoas tem a menor idéia do que querem?". Os caminhos tortuosos na vida de cada um, os retrocessos e frustrações, como Bruce logo descobre, são apenas mais alguns metros em uma estrada que leva sempre pelo caminho certo, quando fazemos as escolhas certas.

Cenas bem humoradas aliadas à excelente atuação de Morgan Freeman e Jim Carrey (que não se exibe demais) além das pontas feitas pelo hoje infame Steve Carell tornam Todo Poderoso uma das poucas comédias americanas atuais ainda pensadas com inteligência e um certo tom de crítica social, deixando espaço ainda para uma bela lição sobre a vida. Uma aposta de diversão garantida para todos os gostos.


sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Corpse Bride


Ficha Técnica:

A Noiva Cadáver (Corpse Bride) EUA 2005

"There's been a grave misunderstanding"

Diretor: Tim Burton

Estúdio: Warner Bros Pictures

Elenco: Johnny Depp, Helena-Bonham Carter, Emily Watson, Christopher Lee, Deep Roy, Danny Elfman


Depois de uma quase inexplicável sumida do blog estou de volta! E trazendo um filme do mais espetacular diretor com tendências góticas do universo do cinema: Tim Burton. Para comemorar o Halloween, vamos falar de uma adorável e fantasmagórica animação.

Victor é um jovem distraído e romântico que se vê forçado a um casamento para subir de posição na vida. Sua prometida é a surpreendente e interessante Victoria que por uma ironia do destino também é empurrada no casamento pelo que a família acredita ser dinheiro. Victor e Victoria se apaixonam perdidamente e podem sentir o gosto da felicidade, até que em uma noite fatídica, o jovem Victor, nervoso com o ensaio, pratica seus votos em uma velha floresta e acaba ganhando como brinde uma musical e apaixonada noiva cadáver. Victor é arrastado para o divertido mundo dos mortos e precisa resolver o mal-entendido e salvar Victoria, que corre risco de vida nas mãos de um ambicioso Lorde.

Noiva Cadáver é uma animação stop-motion, estilo imortalizado por Tim Burton desde seu sucesso estrondoso em "O Estranho Mundo de Jack". Os personagens são goticamente adoráveis, como só Burton sabe transmitir e os esforços não foram poupados na hora de escolher as vozes: atores tradicionais como Johnny Depp e Helena Bonham-Carter emprestam seu talento aos personangens de massinha e Danny Elfman traz mais uma vez a magia de suas músicas de forma extraordinária e competente.

Ironicamente, o mundo dos mortos é bem mais animado e livre do que o dos vivos, o que confunde a cabeça do jovem Victor que tem aversão absoluta aos padrões estritos da sociedade lá de cima. A esperança e alegria da noiva cadáver também a transformam em algo novo e diferente, libertado das aflições de uma vida mortal. A sociedade quadrada e padronizada leva um golpe no ego e nos costumes quando os mortos resolvem virar o mundo de cabeça para baixo para o casamento que deverá se desenrolar entre Victor e sua não-tão-viva pretendente. As caricaturas de cada personagem são deliciosas, e embora o filme seja quase que completamente em tons muito escuros de vinho, preto e cinza, a alegria dele é incontestável e a história é tão viva e animada como qualquer filme Disney que passe por aí. Mas o diferencial é o toque maluco e artístico do animado e um tanto aloprado Tim Burton, que demonstra mais uma vez sua capacidade de transformar o extraordinário em irresistível e o fantasmagórico em belo.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

sábado, 18 de outubro de 2008

Saved!


Ficha Técnica:

Galera do Mal (Saved!) EUA 2004

"Heaven help us"

Diretor: Brian Dannelly

Estúdio: United Artists

Elenco: Mandy Moore, Macaulay Culkin, Jena Malone, Patrick Fugit, Heather Matarazzo


Mary é estudante de uma fervorosa escola católica e que encara da noite para o dia um pesadelo: ela fica grávida de sua "primeira vez" feita com um amigo que posteriormente se revela ser homossexual. Jena fica apavorada por ter que lidar com isso, especialmente em uma escola tão padronizada. Para infernizar sua vida, aparece a devota e insuportável colega, Hilary Faye que vive perseguindo a garota que passa a questionar a existência de Deus. Mas Mary acha em um estranho grupo composto por uma judia e um deficiente físico, o apoio necessário para lidar com seus problemas e amizades que durarão para a vida inteira.

É impossível não falar da originalidade de Saved!. A história é absolutamente inédita e talvez até um pouco cruelmente cômica. O filme é na verdade um misto de comédia e drama que funciona perfeitamente bem. Os diálogos são jovens, mas não são estúpidos como costuma acontecer nos tradicionais filmes que retratam o dia a dia das escolas americanas. A ironia com que a religião é tratada no filme, chega a chocar um pouco, mas nada que ofenda demais (exceto talvez os católicos como o personagen de Mandy Moore).

O verdadeiro destaque do filme porém é a excelente seleção de jovens atores: a relativamente desconhecida Jena Malone, que interpreta Mary, é uma personagem que inspirou posteriormente garotas como Juno, que acabam não deixando os problemas afetarem o curso de sua vida. Mandy Moore, que é uma estrela e beldade de Hollywood faz um papel nunca interpretado antes: a da fervorosa e maluca aluna Hilary Faye, coberta de perfeições externas, mas maldosa e com inúmeros conflitos internos. O desaparecido Macaulay Culkin do infame "Esqueceram de Mim" ressurge com glória como o aleijado que faz par romântico com a deliciosamente endiabrada judia gótica, interpretada por Eva Amurri.

COm uma história original, diálogos inteligentes, crítica ferrenha a religião e à sociedade americana e boas atuações, Galera do Mal é uma aposta certa para quem estiver buscando uma diversão um pouco mais inteligente!


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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Monty Python and the Holy Grail


Ficha Técnica:

Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail) UK 1975

"Makes Ben Hur look like an Epic!"

Diretores: Terry Gilliam e Terry Jones

Estúdio: Michael White Productions

Elenco: John Cleese, Graham Chapman, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones, Michael Pallin.


O infame grupo de comédia inglês Monty Python parte em uma nova aventura neste filme histórico. Em Busca do Cálice Sagrado, o rei Arthur e seus famosos cavaleiros da Távola Redonda são encarregados por Deus de acharem um objeto que é muito importante para a Britânia: o Santo Graal. O filme acompanha então as jornadas separadas de cada cavaleiro e seus ridículos momentos juntos tentando achar o objeto sagrado.

O humor de Monty Python só pode ser descrito como único. Em uma geração de incontáveis besteirois americanos é refrescante ver a irreverência do grupo inglês que revolucionou a época com seu estilo nonsense. As piadas são engraçadas de forma quase óbvia e alguns dos pensamentos feitos para os diálogos brilhantes do filme são tão inusitados quanto a política do grupo. Distorcer a história de Arthur não é novidade. Mas faze-lo de forma tão incomum, crítica e ao mesmo tempo parecendo tão boba é o que diferencia Monty Python do restante.

Atores como John Cleese conseguiram fazer uma vida após Monty Python, inclusive com carreiras muito bem sucedidas. Já Eric Idle, o segundo mais "conhecido" do grupo se limitou a poucos papéis, mas todos muito bem feitos e com a graça que o ator demonstrou capaz de conhecer desde os áureos tempos do grupo. As cenas como a dos "cavaleiros que dizem NI" e da luta com o cavaleiro negro se tornaram famosas mundialmente e colocaram o nome de Monty Python na lista dos grandes clássicos do cinema, ao lado dos famosos filmes de Peter Sellers. Não se enganem porém: Em Busca do Cálice Sagrado, como os outros filmes (A vida de Brian e o Sentido da vida, os mais famosos) não são para as massas. O humor do filme é extremamente seletivo e muitas vezes só compreendido quando assistido mais de uma vez, mas infelizmente sua bilheteria se lançado hoje não poderia se comparar com os estouros dos terríveis filmes estilo American Pie. Mas se você não tem medo de arriscar, aposte nesse grupo! Eu particularmente sou uma fã!


NOVIDADES: Prevista para maio de 2010 a estréia da nova aventura do monstro mais querido do cinema: Shrek IV (Shrek goes Fourth) contará com os talentos vocais de Mike Myers, Cameron Diaz, Eddie Murphy e Antonio Banderas e provavelmente algumas adições surpresa. Aguardando ansiosamente pela galinha de ovos de ouro da DreamWorks.


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Até breve!

domingo, 28 de setembro de 2008

Fool's Gold


Ficha Técnica:

Um Amor de Tesouro (Fool's Gold) EUA 2008

"This february, true love takes a dive"

Diretor: Andy Tennant

Estúdio: Warner Bros Pictures
Elenco: Mathew McConaughey, Kate Hudson, Donald Sutherland, Ray Winstone


Finn e Tess tem duas paixões em comum: um ao outro e a caça ao tesouro. Quando Tess resolve de divorciar do marido sonhador, Finn vê no famoso tesouro do dote da rainha da espanha sua única esperança de recuperar as finanças e o amor da mulher. Devendo dinheiro a um rapper, aliados a um milionário com a filha socialite burra, Finn e Tess partem em busca do tesouro nas Bahamas, e acabam encontrando mais problemas do que esperavam.

Esta não é a primeira vez que Kate Hudson e Mathew McConaughey dividem as telas como par romântico. E exatamente como em "Como perder um homem em 10 dias", eles possuem uma química adorável e muito convincente. Este é provavelmente o elemento mais forte de Um Amor de Tesouro, contrabalanceando as cenas de açao um tanto fracas e a história não muito original. O longa não é fantástico, mas é extremamente divertido e arranca boas risadas do espectador que acompanha ansioso a velha história de caça ao tesouro. Como em outros filmes light, até os "vilões" são abestalhados e não pensam muito antes de agir. Na verdade, é tudo (menos o relacionamento) quase fácil demais para Tess e Finn.

O cenário é naturalmente deslumbrante: as ilhas paradisíacas das Bahamas servem de palco para a aventura do casal e dos outros personangens igualmente divertidos. Donald Sutherland intepreta o milionário judiado pela filha, e que vê na caça uma boa oportunidade de se aproximar da patricinha desinteressada. Ray Winstone é o grosseiro (como sempre) mas divertido rival de Finn, que embora cace o tesouro, não deseja nada de ruim para o velho amigo. O charme está nos diálogos sensacionais realizados entre os ambos muito charmosos atores Kate Hudson e Mathew McCounaughey. Ela, irreverente e de língua afiada e ele estabanado e bonitão. Uma combinação ideal para uma busca desesperada por um tesouro quase lendário, que gera risos, explosões, aventura e nenhuma surpresa.


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terça-feira, 23 de setembro de 2008

I Now Pronounce You Chuck and Larry


Ficha Técnica:

Eu os declaro marido e Larry (I Now Pronounce you Chuck and Larry) EUA 2007

"They're as straight as can be, but don´t tell anyone"

Diretor: Denis Dugan

Estúdio: Universal Pictures
Elenco: Kevin James, Adam Sandler, Jessica Biel, Ving Rhames, Dan Aykroyd


Depois da morte da esposa, o bombeiro Larry Valentine corre o risco de perder os benefícios de casais que o ajudam a sustentar os dois filhos. Depois que Larry salva a vida do melhor amigo e também bombeiro Chuck em um incêndio, ele acaba pedindo um favor. Eles devem se casar como homossexuais para que Larry continue recebendo os benefícios. O problema é que este tipo de fraude é comum e o estado logo coloca o insistente oficial de justiça no pé do falso casal, e eles contratam uma belíssima advogada, Alex, para defendê-los no tribunal. Quando Chuck começa a se apaixonar por Alex, a verdade ameaça vir a tona e torna a vida de todos os envolvidos uma confusão.

Kevin James do seriado "The King of Queens" e o comediante já conhecido em Hollywood, Adam Sandler se unem de forma cômica e adorável neste filme leve e divertido. Chuck (Sandler) é um solteirão mulherengo, que acaba encontrando no falso casamento com o amigo, os valores que ele precisava ter para largar a vida de promiscuidade. No fim das contas, tanto Chuck quanto Larry aprendem duas valiosas lições: a de dizer não ao preconceito que atormenta a vida de pessoas inocentes e do valor da amizade que supera todas as dificuldades e humilhações. Ao contrário da maioria das comédias americanas, Eu os declaro marido e Larry não se baseia apenas nas velhas e estúpidas piadas sobre sexo. O filme não é super inteligente, nem inovador, nem possui elementos dignos de Oscar, mas seu objetivo não é este mesmo. Ele entretém pelo simples, pelo inocente, pelo puramente divertido, sem depender de efeitos especiais ou beldades cinematográficas.

Uma comédia leve, de bom gosto, com boas lições e excelentes atores. Um must see para aqueles que querem apenas se divertir.


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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Mr. Bean's Holiday


Ficha Técnica:

Férias de Mr. Bean (Mr. Bean's Holiday) UK 2007

"Disaster has a passport"

Diretor: Steve Bendelack

Estúdio: Universal Pictures

Elenco: Rowan Atkinson, Willem Dafoe, Emma de Caunes, Max Baldry


O notório persoanagem inglês está de volta nesta divertida aventura. Mr. Bean ganha, em uma rifa de igreja, uma passagem para Cannes, na França, e uma câmera filmadora. Desastrado como sempre, o homem comete erros inimagináveis e acaba sendo responsável por separar o filho de um famoso crítico de cinema de seu pai. Como ambos precisam ir a Cannes, Mr. Bean e o jovem rapaz se unem em uma aventura cômica e inesperada, lutando contra as adversidades e sendo ajudados pela bela atriz francesa Sabine.

Particularmente, embora ache Rowan Atkinson um dos atores mais engraçados da atualidade, eu não gosto do seriado inglês Mr. Bean. Mas o filme dá um novo olhar, mais crítico e mais atento ao abestalhado personagem. O documentário, típico de turistas que filmam tudo, que Mr. Bean faz de sua tortuosa viagem, rende ainda mais risadas para o público deliciado, mas aflito em presenciar as desaventuras do palhaço. O incrível sobre Atkinson é que ele consegue, sozinho, com a ajuda de apenas alguns objetos, lançar a platéia num mar de riso interminável, e que nada tem a ver com o costumeiro besteirol americano. Os ingleses já provaram através do infame grupo Monty Python, que tem mais classe do que os "ianques" e voltam com o humor inteligentemente inocente em As Férias de Mr.Bean. O personagem gera uma simpatia imediata do espectador, que embora ria de suas desagradáveis situações, torce para que ele , depois de muitas e muitas volta, atinja o seu objetivo.

O filme faz também uma crítica ferrenha ao popular Festival de Cannes, famoso por premiar filmes que o grande público jura não compreender. O papel controverso de Willem Dafoe é o do diretor Carson Clay, que realiza mais uma destas produções sem pé nem cabeça e que espera conquistar Cannes com a falsa inteligência no melhor estilo A nova roupa do rei. A espontaneidade e sinceridade do fracassado Mr. Bean se provam então mais interessantes do que a arrogância do bem sucedido diretor. Atkinson conquista o público com suas caras e bocas e o diretor conquista a crítica com uma visão menos "idiota" do ídolo inglês da boa comédia!


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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Lucky Number Slevin


Ficha Técnica:

Xeque Mate (Lucky Number Slevin) EUA 2006

"Wrong time. Wrong place. Wrong Number"

Diretor: Paul McGuigan

Estúdio: Capitol Films

Elenco: Josh Hartnett, Bruce Willis, Lucy Liu, Ben Kingsley, Morgan Freeman.


Em um terrível caso de identidades trocadas, o bem humorado Slevin se encontra no lugar errado e na hora errada, e acaba se engajando em uma guerra entre os dois maiores senhores do crime: O Rabino e O Chefe. Slevin passa a ser vigiado pelo assassino Godkat e por um implacável detetive, e através de diversos acontecimentos que parecem não estar relacionados, começa a planejar seu próprio plano contra os senhores do crime antes que eles consigam encurralá-lo.

Xeque Mate não pode ser definido como apenas um tipo de filme. Ele consegue unir o melhor de vários gêneros. Embora tenha cenas de violência muito fortes, não é nisso que o longa se baseia. Na realidade é exatamente o contrário: em Xeque Mate, cada cena, cada fala, cada movimento conta na compreensão da complicada trama que promete surpresas e satisfação do espectador mais exigente. Os diálogos são rápidos e inteligentes, e embora sejam pouco realistas, são elegantes e divertidos como só Hollywood pode fazer. O elenco é excelente e mostra todos os atores em suas melhores formas: Bruce Willis está frio e irônico como o assassino Godkat, Morgan Freeman e Ben Kingsley, dois grandes nomes do cinema, competem pelo posto de chefão do crime enquanto o atordoado Josh Hartnett prova ser capaz de incríveis transformações no desenrolar do longa.

Entre jogos de xadrez, apostas de cavalos e mistérios a serem revelados, Xeque Mate mantém o público preso do começo ao fim, ansioso por respostas e admirando os estranhos métodos dos poderosos e também dos fracos.


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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Nanny McPhee


Ficha Técnica:

Nanny McPhee- Uma babá encantada (Nanny McPhee) EUA 2005

"Behave or Beware"

Diretor: Kirk Jones

Estúdio: Universal Pictures

Elenco: Emma Thompson, Colin Firth, Kelly MacDonald, Thomas Sangster, Angela Lansbury.


O viúvo Mr. Brown sofre com o sete adoráveis, mas energéticos filhos que expressam a falta da mãe com uma bagunça e desobediência constantes. No auge da impaciência, Mr. Brown é misteriosamente levado a uma babá um tanto controversa e feia, chamada Nanny McPhee que alerta que enquanto não a quiserem, mas precisarem dela, ela ficará, mas quando a quiserem e não mais precisarem, ela precisa partir. Nanny McPhee usa de métodos mágicos e misteriosos para ensinar as crianças, enquanto estas devem lidar com o casamento que foi imposto ao seu pai e ,claro, tentar sabota-lo.

Nanny McPhee pode ser entendido como uma cópia do clássico da década de 60, Mary Poppins, mas embora ambas as histórias sejam sobre babás encantadas, a proposta é inteiramente diferente. Nanny McPhee tem de fato o melhor estilo Disney de encantamento, mas apresenta temas um pouco mais atuais, lidando com as crianças que não sabem como refletir o sentimento de ausência de uma mãe. Os métodos de ensino da babá, nada tem de cruéis, mas procuram sim, voltar contra as crianças as maldades que elas mesmas fazem, ensinando como seria melhor se fossem simpáticas e sinceras.

Nanny McPhee não deixa a desejar no quesito visual nem de atuação. O filme possui um colorido que complementa o clima da história e atores impecáveis nos papéis principais. Colin Firth, sempre versátil, sempre excelente, interpreta o pai Mr. Brown com força e fragilidade ao mesmo tempo. A inglesa Emma Thompson encarna a misteriosa babá com gentileza e delicadeza, mas ao mesmo tempo enorme sabedoria. Um papel difícil e executado com maestria por Thompson. E a revelação do filme é sem dúvida o jovem Thomas Sangster, que faz o papel do menino mais velho, Simon. O jovem ator sabe controlar as emoções e transmiti-las para a tela como um veterano, sejam elas de revolta, medo, alegria, dúvida ou desafio.

Um excelente filme para crianças e uma boa escolha para os adultos que como eu, ainda não perderam a criança interior. Mágico em todos os sentidos!


CURIOSIDADES: O jovem Sangster que interpreta Peter está sendo rodeado de rumores sobre seu papel no próximo filme de Spielberg, Tintin que começa a ser filmado na primavera. Os agentes de Sangster não confirmaram nem desacreditaram o fato de que Sangster, hoje com 17 anos, intepretaria o papel principal, do repórter intrépido e corajoso dos quadrinhos de Herge.


ESTRÉIAS: Hoje estréia o novo filme do anti-herói demoníaco HellBoy. Depois do fracasso enorme do primeiro longa, o brilhante Guillermo del Toro de "O Labirinto do Fauno" assume a direção das novas aventuras do demônio e sua equipe que devem lutar contra uma força chamada de Exército Dourado. No elenco, Ron Perlman, Selma Blair e James Dodd. A crítica tem exaltado o projeto e as expectativas estão altas. Comprem suas pipocas!


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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Over the Hedge


Ficha Técnica:
Os Sem Floresta (Over the Hedge) EUA 2006

"Nuts!"

Diretores: Tim Johnson e Karey Kirkpatrick

Estúdio: DreamWorks Animation SKG

Elenco: Bruce Willis, Steve Carell, Wanda Sykes, Avril Lavigne, William Shatner, Nick Nolte.


Um guaxinim interesseiro se infiltra em um grupo de animais liderados por uma tartaruga, que viu um subúrbio crescer do outro lado de uma cerca viva enquanto hibernavam. Sem floresta com comida para juntarem para o inverno, o guaxinim RJ resolve usar os integrantes do grupo para juntar guloseimas humanas sob o pretexto de alimentação para eles mesmos, quando na verdade são necessárias para RJ pagar uma dívida a um urso faminto.

Os Sem Floresta segue a onda da concorrente da Disney, DreamWorks, de fazer animações politicamente incorretas. O filme todo é uma crítica ao modo de vida nos clássicos subúrbios americanos, com as casas todas iguais, os mesmos produtos e a mesma vida de sempre. Os adoráveis personagens do grupo enganado por RJ tem personalidades diversas e que se encaixam perfeitamente no estereótipo de cada um dos animais. As vozes são excelentes tendo Bruce Willis como RJ, a comediante Wanda Sykes como a gambá Stella e o engraçadíssimo Steve Carell como o igualmente engraçadíssimo esquilo hiperativo Hammy.

Como prova de que o filme definitivamente não é feito para crianças, além da irreverência do tratamento dos subúrbios, Os Sem Floresta faz alusões a clássicos do cinema como "Cidadão Kane" e tem uma trilha sonora jovem, mas cheia de mensagens irônicas. Não que as crianças não consigam apreciá-lo, mas os adultos o admiram muito mais.


ESTRÉIAS: Hoje estréia o esperado Wanted, com Angelina Jolie e James McAvoy. Espero assistir ainda hoje. E prevista para o dia 25 de dezembro, está o novo longa de Frank Miller, The Spirit, que leva bem o tom de seus filmes anteriores Sin City e 300. O elenco conta com uma legião de beldades como Eva Mendes, Scarlett Johansson, Paz Vega e Jaime King, além dos atores Samuel L. Jackson e Gabriel Macht. O trailer ao menos mostra que The Spirit vai ser tão sangrento, confuso e inovador (de forma boa ou ruim) como as outras criações do diretor/escritor.


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