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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Up

Ficha Técnica:
Up - Altas Aventuras (Up) EUA 2009

Diretores: Pete Docter e Bob Peterson (co-diretor)

Escritores: Pete Docter e Bob Peterson

Estúdio: Walt Disney Pictures/Pixar Animation Studios

Elenco: Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, John Ratzemberger

Em Up, um velho senhor chamado Carl Fredericksen, resolve realizar o sonho de sua esposa e colocar sua casa no topo do paraíso das cachoeiras, na América do Sul. Para isso, Carl amarra sua casa a milhares de balões e inicia uma aventura muito além das proporções que ele tinha imaginado, na companhia de um escoteiro insistente, um cachorro falante e um pássaro gigante.

Nas palavras de Jon Favreau "está na hora da Disney ganhar um Oscar de melhor filme por Up". A Pixar conseguiu mais uma vez trazer à tona o talento extraordinário dos seus artistas, com mais uma história original, bela e surpreendente.

O estúdio manteve o padrão de heróis nada convencionais que passou por peixes, monstros, brinquedos, insetos e robôs, criando adoravelmente rabugento e obviamente humano Carl Fredericksen.

Pete Docter, o gênio por trás de Os Incríveis, se aliou a Bob Peterson (em sua primeira experiência como co-diretor) e ambos provaram que, como a Pixar sempre diz, investir em novos talentos vale a pena. Receosos de que, com tantos sucessos, o estúdio possa cair na "mesmice", os executivos da Pixar estão sempre dando cargos de direçaõ para novas pessoas, dando oportunidade para que todos executem suas idéias.
O resultado de Up é um espetáculo de cores, sons, sentimentos e humor. A história é, mais uma vez, sobre a superação dos próprios limites, a descoberta do amor e da amizade. E, por mais clichê que esta fórmula possa parecer, com a criatividade dos gênios da Pixar, ela adquire proporções épicas e fantásticas, elevando a animação às mesmas alturas da casa do protagonista.

Os primeiros minutos do filme são dedicados a fazer o espectador entender as razões do personagem, com uma sequencia delicada e emocionante e que acaba por se tornar a maior lição de todas: a vida é uma aventura. Mas, não fosse a obsessão de Fredericksen de realizar o sonho da esposa, ambos admiradores de um aventureiro do passado, nós não teríamos o prazer de presenciar a descoberta do velho senhor sobre as maravilhas ainda ocultas em sua vida.

Os pequenos detalhes tiram Up do setor "história divertida e bom motivo para ir no cinema" e a transformam em uma obra de arte. As posturas e prazeres típicos dos cães, os hábitos irritantemente rotineiros de Carl, a juventude incansável de Russel e a bizarra união destes elementos, nos dá a oportunidade de repensar a beleza da vida de todo dia. Embora Carl passe por uma aventura em tempestades, selvas e rios, é dentro da própria casa (literalmente) que ele descobre quais são as coisas mais importantes.

No seu décimo filme e décimo sucesso, a Pixar prova que tem as ferramentas necessárias para transformar o cinema com criatividade e ousadia. Longe de se preocupar com a concorrência, Jon Lasseter, Ed Catmull e toda a equipe, se mostram cada vez mais atentos ao que o público quer assistir, sem nunca perder a integridade e inteligência de uma das empresas mais bem sucedidas do século XXI.

OBS: Vale a pena prestar atenção no belíssimo curta que precede o longa, sobre cegonhas e as nuvens que criam os bebês.

Fico por aqui hoje!
Até breve!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Coraline


Ficha Técnica:

Coraline e o Mundo Secreto (Coraline) EUA 2009

"Be careful what you wish for"

Diretor: Henry Sellick

Escritores: Henry Sellick (roteiro)

Neil Gaiman (livro)

Estúdio: Laika Entertainment

Elenco: Dakota Fanning, Jennifer Saunders, Terry Hatcher


Coraline é uma menina aventureira e insatisfeita com seu tedioso estilo de vida. Os pais a ignoram ou ficam zangados com ela, sua nova casa é no meio do nada e seu vizinho não é exatamente o tipo com que ela gostaria de fazer amizade. Mas, certa noite, Coraline descobre um novo mundo dentro de sua própria casa, um mundo com todas as idealizações que ela sonhou. Mas este mundo prova ser muito mais sombrio do que Coraline pensava, e ela precisa lutar para escapar do próprio sonho de realidade.

Henry Sellick dirigiu e escreveu Coraline. Isso já era suficiente para uma boa perspectiva. Responsável por produções como "O Estranho Mundo de Jack" e "James e o Pessego Gigante", Sellick sempre foi capaz de transformar inocentes fantasias em obras de arte com um toque sombrio e nonsense. E autor nenhum seria melhor para complementar o seu talento do que o brilhante Neil Gaiman, autor de MirrorMask e Sandman.

A união destes dois grandes talentos criativos foi capaz de criar uma aventura como nunca vista desde Alice no País das Maravilhas (história na qual, Coraline se inspira e muito). A personalidade forte, amarga e marcante de Coraline cria simpatia imediata na tela e não há criança ou adulto que não se identifique com os seus devaneios de um mundo ideal. Mas, como a vida não pode ser sempre capaz de nos ensinar, Coraline se vê presa na própria armadilha e começa a imaginar o que havia de tão bom naquilo que ela tanto queria.

Visualmente, Coraline é um banquete. A obra de Neil Gaiman ganha vida em cores e sons exuberantes e espetaculares, arrastando o espectador para uma viagem a um mundo onde tudo é possível e nada é o que parece. A característica da atmosfera assustadora ganha uma nova conotação quando misturada à fantasia rebelde desta releitura de Alice. O Gato Risonho está lá, a rainha vermelha também, e mesmo a toca do coelho, mas com sutileza e originalidade que transformam Alice em coadjuvante.

Coraline é a Alice do século 21. Ao invés de sonhar com flores falantes e gatos de roupas, Coraline quer uma mãe e um pai que não a ignorem pelo trabalho, quer amigos e algo para levar sua vida ao limite do extraordinário. Mas a diferença principal entre elas é que Coraline é uma lutadora, capaz de correr atrás dos próprios objetivos. A primeira cena do filme, onde uma boneca é destrinchada e montada novamente, é tão assustadora que chega a dar arrepios e nos dá um resumo do que está por vir: loucura, aventura, beleza e tristeza, tudo misturado em uma fórmula de sucesso.

Longe de ser infantil, Coraline é uma viagem que merece ser vivida por todos os espectadores que procuram algo no infinito reino da animação, feito desta vez em stop-motion, e que admirem uma boa história com personagens complexos e deliciosos momentos completamente sem sentido.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Corpse Bride


Ficha Técnica:

A Noiva Cadáver (Corpse Bride) EUA 2005

"There's been a grave misunderstanding"

Diretor: Tim Burton

Estúdio: Warner Bros Pictures

Elenco: Johnny Depp, Helena-Bonham Carter, Emily Watson, Christopher Lee, Deep Roy, Danny Elfman


Depois de uma quase inexplicável sumida do blog estou de volta! E trazendo um filme do mais espetacular diretor com tendências góticas do universo do cinema: Tim Burton. Para comemorar o Halloween, vamos falar de uma adorável e fantasmagórica animação.

Victor é um jovem distraído e romântico que se vê forçado a um casamento para subir de posição na vida. Sua prometida é a surpreendente e interessante Victoria que por uma ironia do destino também é empurrada no casamento pelo que a família acredita ser dinheiro. Victor e Victoria se apaixonam perdidamente e podem sentir o gosto da felicidade, até que em uma noite fatídica, o jovem Victor, nervoso com o ensaio, pratica seus votos em uma velha floresta e acaba ganhando como brinde uma musical e apaixonada noiva cadáver. Victor é arrastado para o divertido mundo dos mortos e precisa resolver o mal-entendido e salvar Victoria, que corre risco de vida nas mãos de um ambicioso Lorde.

Noiva Cadáver é uma animação stop-motion, estilo imortalizado por Tim Burton desde seu sucesso estrondoso em "O Estranho Mundo de Jack". Os personagens são goticamente adoráveis, como só Burton sabe transmitir e os esforços não foram poupados na hora de escolher as vozes: atores tradicionais como Johnny Depp e Helena Bonham-Carter emprestam seu talento aos personangens de massinha e Danny Elfman traz mais uma vez a magia de suas músicas de forma extraordinária e competente.

Ironicamente, o mundo dos mortos é bem mais animado e livre do que o dos vivos, o que confunde a cabeça do jovem Victor que tem aversão absoluta aos padrões estritos da sociedade lá de cima. A esperança e alegria da noiva cadáver também a transformam em algo novo e diferente, libertado das aflições de uma vida mortal. A sociedade quadrada e padronizada leva um golpe no ego e nos costumes quando os mortos resolvem virar o mundo de cabeça para baixo para o casamento que deverá se desenrolar entre Victor e sua não-tão-viva pretendente. As caricaturas de cada personagem são deliciosas, e embora o filme seja quase que completamente em tons muito escuros de vinho, preto e cinza, a alegria dele é incontestável e a história é tão viva e animada como qualquer filme Disney que passe por aí. Mas o diferencial é o toque maluco e artístico do animado e um tanto aloprado Tim Burton, que demonstra mais uma vez sua capacidade de transformar o extraordinário em irresistível e o fantasmagórico em belo.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Hauru No Ugoko Shiro


Ficha Técnica:

O Castelo Animado (Hauru no Ugoko Shiro) Japão 2004

Diretor: Hayao Myazaki

Estúdio: Dentsu Music and Entertainment

Elenco: Chieko Baisho, Takuya Kimura, Daijiro Harada, Akihiro Miwa


Sofi é uma vendedora de chapéus simples e honesta que vive em uma cidade assombrada pelos rumores de um feiticeiro que rouba o coração das mulheres para comê-los. Quando uma bruxa transforma a jovem bonita em uma senhora velha e feia, a única esperança para Sofi é procurar a ajuda do temido mago Hauru e seus companheiros, em um estranho castelo que se movimenta. Sofi irá logo descobrir que Hauru é um homem misterioso, com muito mais segredos do que ela jamais imaginou.

Castelo Animado mostra mais uma vez a imaginação do genial diretor japonês Hayao Myazaki, de "Viagem de Chihiro". Em Castelo Animado, de forma mais leve do que Chihiro, Myazaki realiza um conto de fadas moderno e maduro, com todos os elementos incomuns que ilustram suas histórias e com o habitual charme incompreensível de seus personagens. O mago Hauru, é um homem de mistérios, um homem do bem, que deixa que pensem que ele é cruel. Sofi por sua vez é a garota tímida e sem auto-confiança, que deslumbra Hauru por sua sinceridade e fé na bondade das pessoas. A bruxa que transforma Sofi em uma velha, é uma alusão à personagem do Mágico de Oz e apesar da bondade de Sofi, se irrita com sua aparência.

Como em Chihiro, Sofi passa por uma viagem que a transforma completamente, mas acima de tudo ela é responsável por ensinar a Hauru que nem tudo deve ser como ele deseja, e como uma dama, ela o educa e o faz se apaixonar por ela. Uma história de amor tão inconvencional como as belas paisagens e o estilo impecável de Hayao Myazaki, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor animação, além de outros prêmios e elogios da crítica mundial que consideraram o filme uma obra prima.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Over the Hedge


Ficha Técnica:
Os Sem Floresta (Over the Hedge) EUA 2006

"Nuts!"

Diretores: Tim Johnson e Karey Kirkpatrick

Estúdio: DreamWorks Animation SKG

Elenco: Bruce Willis, Steve Carell, Wanda Sykes, Avril Lavigne, William Shatner, Nick Nolte.


Um guaxinim interesseiro se infiltra em um grupo de animais liderados por uma tartaruga, que viu um subúrbio crescer do outro lado de uma cerca viva enquanto hibernavam. Sem floresta com comida para juntarem para o inverno, o guaxinim RJ resolve usar os integrantes do grupo para juntar guloseimas humanas sob o pretexto de alimentação para eles mesmos, quando na verdade são necessárias para RJ pagar uma dívida a um urso faminto.

Os Sem Floresta segue a onda da concorrente da Disney, DreamWorks, de fazer animações politicamente incorretas. O filme todo é uma crítica ao modo de vida nos clássicos subúrbios americanos, com as casas todas iguais, os mesmos produtos e a mesma vida de sempre. Os adoráveis personagens do grupo enganado por RJ tem personalidades diversas e que se encaixam perfeitamente no estereótipo de cada um dos animais. As vozes são excelentes tendo Bruce Willis como RJ, a comediante Wanda Sykes como a gambá Stella e o engraçadíssimo Steve Carell como o igualmente engraçadíssimo esquilo hiperativo Hammy.

Como prova de que o filme definitivamente não é feito para crianças, além da irreverência do tratamento dos subúrbios, Os Sem Floresta faz alusões a clássicos do cinema como "Cidadão Kane" e tem uma trilha sonora jovem, mas cheia de mensagens irônicas. Não que as crianças não consigam apreciá-lo, mas os adultos o admiram muito mais.


ESTRÉIAS: Hoje estréia o esperado Wanted, com Angelina Jolie e James McAvoy. Espero assistir ainda hoje. E prevista para o dia 25 de dezembro, está o novo longa de Frank Miller, The Spirit, que leva bem o tom de seus filmes anteriores Sin City e 300. O elenco conta com uma legião de beldades como Eva Mendes, Scarlett Johansson, Paz Vega e Jaime King, além dos atores Samuel L. Jackson e Gabriel Macht. O trailer ao menos mostra que The Spirit vai ser tão sangrento, confuso e inovador (de forma boa ou ruim) como as outras criações do diretor/escritor.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Meet the Robinsons




Ficha Técnica:

A Família do Futuro (Meet the Robinsons) EUA 2007

"Experience the future as only Disney can imagine it!"

Diretor: Stephen J. Anderson

Estúdio: Walt Disney Animation Studios

Elenco: Angela Basset, Daniel Hansen, Jordan Fry, Tom Selleck.

Peço desculpas mais uma vez pelos constantes desaparecimentos de novos filmes no blog. As vezes não tenho tempo, mas vou sempre tentar compensar no dia seguinte postando mais de um filme! E agora, ao filme de hoje!

Lewis é um brilhante órfão, obstinado em inventar meios de deixar o mundo melhor, fato que lhe custa diversas entrevistas com possíveis pais que fogem assustados com a empolgação do menino. Em uma feira de ciências, Lewis vê sua vida mudar ao conhecer Wilbur Robinson, um agitado rapaz da sua idade que lhe leva para uma inacreditável viagem para o futuro, onde ele conhece a pouco convencional família Robinson, compreensiva e agitada como Lewis sempre sonhou. Mas um vilão ainda menos convencional, bola um plano maligno para exterminar a felicidade dos Robinsons e Lewis enfrenta uma luta contra o tempo para salvar os queridos amigos.

Família do Futuro é uma verdadeira obra prima por diversos motivos. A história é como só a Disney sabe fazer, levemente politicamente incorreta, mas absolutamente adorável em todos os seus detalhes. A família Robinson é encantadoramente louca, e o espectador tem um certo choque (assim como Lewis) ao conhecer os estranhos personagens, mas aos poucos percebe que aquela loucura é fruto de um sentimento muito maior, um sentimento de amor e carinho e acima de tudo proveniente de sonhos. E é aí que entra a melhor característica do filme: Lewis é uma alusão clara ao criador deste mundo de sonhos, um homem brilhante chamado Walter Elias Disney. O lema de Lewis "Continue seguindo em frente" era uma das frases mais famosas do pioneiro que ousou sonhar como ninguém nunca tinha feito antes. Lewis é um inventor que, ignorando todas as pessoas que o chamam de louco, insiste no seu sonho de fazer o mundo um lugar melhor através de suas invenções, muito como Walt Disney fez ao criar seu universo de fantasia, com a imaginação que só ele poderia ter, e um coração que até hoje vive nas suas produções.

Fico por aqui hoje!
Até breve!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Kung Fu Panda


Ficha Técnica:

Kung Fu Panda (Kung Fu Panda) EUA 2008

Diretores: Mark Osborne e Jonh Stevenson

Estúdio: DreamWorks Pictures

Elenco: Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Lucy Liu, Jackie Chan.


Po é um panda preguiçoso que tem a sua frente um futuro previsível de dar continuidade ao negócio da família de fazer macarrão. Po porém, tem um sonho bem maior do que os que seu pai planeja: ele quer ser um lutador de kung fu ao lado dos infames Cinco Furiosos do Palácio de Jade. O destino parece favorecer Po, quando num golpe de sorte, ele é selecionado por um antigo mestre para ser o maior lutador da China, o Dragão Guerreiro. O relutante mestre Shifu tem que treinar o desastrado panda para lutar com a maior ameaça para os lutadores de kung fu, um antigo aluno, Tai Lung.

Kung Fu Panda não possui a mesma inteligência de outros filmes da DreamWorks como Shrek e enfrenta um grande desafio ao estrear logo depois do brilhante Wall-E da concorrente Pixar, mas nem por isso deixa de impressionar. O filme é engraçado e adorável e o personagem Po (dublado pelo fisicamente semelhante Jack Black) é extremamente carismático e como em tantas outras produções, conquista os amigos pelo bom coração e pela espontaneidade. O mestre Shifu (voz do excelente Dustin Hoffman) é um dos maiores ganhos do filme. Já os cinco furiosos (a exceção da Tigresa Angelina Jolie) tem poucas falas e participação menor ainda no filme, mas são garantia de risadas quando resolvem aparecer.

Não é bom assitir ao filme procurando as sátiras feitas para adultos que ilustram as animações hoje. Kung Fu Panda remou contra a maré ao construir uma história feita mais para crianças (embora os adultos apreciem a comédia) sem pensar em ironizar outros filmes, ou se alimentar da descontrução de alguns valores que antigamente eram comuns nos desenhos animados. Embora seja irreverente e cômico, o filme não é como Wall-E, Shrek ou Os Incríveis, que fazem análises profundas e que são filmes adultos disfarçados em uma capa animada. Kung Fu Panda se alimenta apenas da comédia pura e simples e das velhas lições de aceitar quem é diferente e de não ter medo de sonhar grande. Mas mesmo não possuindo o tato de alguns dos seus "irmãos" o filme agrada o público geral e vale a pena ser conferido tanto por adultos, como por idosos e crianças.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

domingo, 29 de junho de 2008

Wall-E


Ficha Técnica:

Wall-E (Wall-E) EUA 2008

Diretor: Andrew Stanton

Estúdio: Pixar Animation Studios/Walt Disney Pictures

Elenco: Ben Burt, Elissa Knight, John Ratzemberger, Sigourney Weaver


Wall-E é um robô, que no ano de 2700 tem a função de compactar e limpar o espaço terrestre, abandonado 700 anos antes pela raça humana. Wall-E passa todos os seus dias fazendo seu trabalho e juntando relíquias que ele julga interessantes para levá-las à sua pequena casa no meio do nada. Quando uma nave de reconhecimento deixa na Terrra a destemperada robô EVA, Wall-E vê seu mundo virado de cabeça para baixo, ao se apaixonar por EVA e descobrir o verdadeiro propósito de sua existência.

Desde "Toy Story", a Pixar tem demonstrado talento extraordinário para fazer animações, com enredos espetaculares que atingem ambos crianças e adultos além do elemento principal que diferencia a companhia de outras: sua originalidade incontestável. Responsável por grandes produções como "Procurando Nemo" e "Ratatouille", a Pixar jamais desapontou em nenhum de seus filmes e parece nunca esgotar as idéias da brilhante equipe de animação, que segundo depoimento do diretor Andrew Stanton, teve a idéia de várias de suas produções (incluindo Wall-E) em um almoço em 2000. Wall-E, como tantas outras, tem um foco crítico sem ser apelativo e sendo (como a Disney exige) politicamente correto. Mas nem por isso deixa de lado a inteligência ou o humor de muito bom gosto que tempera o longa de maneira perfeita.

Wall-E alterna entre humor, romance e drama explorando todos os gêneros com a genialidade que ambas Disney e Pixar já provaram ser capazes. Nunca um robô foi tratado de forma tão humana, e ironicamente o suficiente, é justamente o robô que ensina os humanos a redescobrirem as belezas e os sentimentos da vida. O amor de EVA e Wall-E é responsável por quebrar os padrões altamente automáticos que regem a vida dos homens em uma nave chamada Axiom, uma espécie de resort espacial, crítica ferrenha à atual sociedade (em especial) norte-americana. Wall-E é ainda apaixonado pelo musical Hello Dolly, ao qual assiste todos os dias e que prova ser o símbolo máximo de seu sentimento pelo desconhecido. Como em todos os filmes da Pixar, Wall-E apresenta uma lição profunda e que desta vez não é sobre ser diferente.

Uma super empresa Buy N Large (outra crítica aos hipermercados americanos) explorou a terra ao seu limite, como tantos ambientalistas nos alertam hoje, e vêem nas suas mãos um problema, uma vez que a Terra se tornou inviável para o crescimento de vida. Wall-E é a o próprio simbolismo da esperança, mostrando aos humanos sedentários da Axiom, que basta eles romperem barreiras ao simplesmente se mexerem para mudar uma realidade sem esperanças. Mais uma vez, não foram poupados esforços para os sons e gestos que fazem parte da realidade de Wall-E. O responsável pelos sons dos robôs de Star Wars está por trás do blips e blops do adorável robozinho, e os poucos diálogos realizados por humanos, são perfeitamente necessários e inteligentes. O filme conta ainda com alusões

É impossível traduzir toda a genialidade de Wall-E em palavras (especialmente porque o próprio filme conta com poucas). É preciso presenciar a perfeição da animação, a expressão dos personagens tão carismáticos e a direção impecável de um estúdio visionário que continua a inovar e surpreender de maneiras cada vez mais diferentes e embora tenha histórias passadas no fundo do mar ou 700 anos no futuro, possui tramas muito atuais.


NOVIDADES: Bem uma novidade meio velha. Prevista para maio de 2009 a estréia do filme X-Men Origins: Wolverine que conta a trajetória do solitário e misterioso X-Men, o passado do herói em um projeto chamado Arma X e o contato com seus inimigos. (Fonte: Revista Monet).


Fico por aqui hoje!

Até breve!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Bee Movie


Ficha Técnica:

Bee Movie - A história de uma abelha (Bee Movie) EUA 2007

Diretores: Steve Hickner e Simon J. Smith

Estúdio: DreamWorks Pictures

Elenco: Jerry Seinfeld, Reneé Zelwegger, Matthew Broderick, Patrick Warburton, John Goodman, Chris Rock, Megan Mulally


Barry B. Benson é uma abelha recém formada na faculdade que fica desiludida ao descobrir que seu futuro é apenas trabalhar para produzir mel durante o resto de sua vida. Barry resolve entao fazer um último e único tour fora da colméia para conhecer a vida do lado de fora. Depois de quase ser morto por um jornal, Barry é salvo por uma florista em Nova York e eles se tornam excelentes amigos, até que um dia ele descobre que os humanos estão roubando o mel das abelhas e resolve processá-los.

Embora seja um filme que possa parecer infantil, Bee Movie, assim como Shrek (da mesma produtora) tem um humor que certamente não é direcionado às crianças e critica diversos valores da indústria americana incluindo ícones da música e da mídia, como Sting, Larry King e Oprah Winfrey (que cedem suas vozes a personagens do filme). Em filmes como Bee Movie, é fácil dizer que os dubladores tem um papel quase tão importante quanto o roteiro e o longa não decepciona na escolha de seus atores. O engraçadíssimo Jerry Seinfeld dá sua voz ao personagem principal enquanto Reneé Zelwegger empresta a sua a humana Vanessa por quem Barry nutre uma amizade preciosa. Chris Rock tem pouquíssimas falas, mas é garantia de risada quando seu personagem, um pernilongo de personalidade questionável aparece. E mesmo os menores papéis nao deixam a desejar na dublagem ou na construção perfeita da personalidade de cada abelha ou humano.

Bee Movie é mais um filme que demonstra a tendência da DreamWorks de fazer filmes que satirizam a realidade em especial norte americana ou de contos de fadas tradicionais. E essa fórmula tem provado ser de muito sucesso desde o primeiro Shrek, passando por Madagascar, Os Sem Floresta e tantos outros. Resta esperar que a DreamWorks continue impressionando, especialmente com a força que a concorrente Disney ganhou depois de se fundir com a empresa de animação de maior sucesso de hoje, a Pixar.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Ratatouille



Ficha Técnica:

Ratatouille (Ratatouille) EUA 2007

Diretor: Brad Bird

Estúdio: Pixar Animation Studios

Elenco: Ian Holm, Peter O'Toole, Janeane Garofalo, Brad Garret, John Ratzenberger.


Sou verdadeiramente fã de carteirinha de animações, sejam elas de computação gráfica ou não. E de animação a Pixar e a Disney entendem. Não me levem a mal, sou, como qualquer mortal, uma das grandes adoradoras do monstro verde Shrek, mas a Pixar executa todos os seus projetos sem falhas, até mesmo os curta metragens.

Ratatouille é um desses projetos bem realizados. O que pode ser mais charmoso e inusitado do que a história de um rato que sonha em cozinhar? Remy é um rato, e não daqueles brancos bonitinhos de laboratório. Um verdadeiro camundongo de rua. Ele é parte de um enorme clã e filho de um pai que, em suas próprias palavras, "nunca se impressiona". Mas Remy tem um dom que o perturba. Ele tem um paladar e um olfato muito aguçados e se recusa a comer do lixo que seus companheiros devoram com tanta voracidade. Além disso, o pequeno rato não teme os humanos que o pai diz serem seus inimigos naturais. Ele os admira, admira sua capacidade de criar e de descobrir. Essa paixão acaba por levar Remy ao seu restaurante preferido, em Paris, o famoso Gusteau's. Lá ele encontra seu par perfeito, um faxineiro desastrado chamado Linguini, que não tem a menor aptidão para cozinhar. Juntos eles formar uma dupla: Remy sabe cozinhar e Linguini sabe aparecer em público. Mas um ambicioso chef de cozinha está de olho em cada movimento de Linguini e de seu companheiro e o famoso crítico Anton Ego, também está ansioso por derrubar o restaurante.

Ratatouille tem belíssimas canções, belíssimos cenários, comédia na dose certa e personagens mais do que cativantes. Remy tem o hábito de lavar as mãos com a gota que sobra da pia e só anda nas patas de trás, para não sujar a comida que mexe. Linguini é um bom rapaz, mas confuso e pouco confiante. Sua parceira Collete, a cozinheira durona do Gusteau's também é uma alusão exageradamente adorável das mulheres francesas que entram nesse mundo. O próprio Gusteau é dono de uma filosofia muito especial, base da receita do filme. Qualquer um pode cozinhar. E é justamente disso que Remy se alimenta. O crítico Anton Ego é perfeito em todos os detalhes, desde o corpo ao seu escritório em forma de caixão. Nada em Ratatouille é simplesmente o que parece. O filme esconde grandes lições, como as origens não limitam o potencial e nunca se é pequeno demais para sonhar.

Impossível traduzir todas as qualidades do longa em uma única crítica. Mas espero que tenham ficado com água na boca para assistir esta brilhante animação. E para vocês relutantes, não se enganem: as animações hoje, raramente são feitas para as crianças. Shrek está aí para provar isso, assim como tantos outros.


CURIOSIDADES: Ratatouille ganhou o Oscar de melhor animação em 2008 e ganhou outros 39 prêmios e 21 indicações.


Fico por aqui.

Até breve.