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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Inglorious Basterds


Para começar eu gostaria de dizer que o blog vai, em breve, mudar de endereço e ser reformado. Vou transferir aos poucos as críticas para lá e espero ter mais dedicação e notícias para postar pra vocês.


Ficha Técnica:

Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds) EUA 2009

"Once upon a time, in Nazi-ocuppied France..."

Diretor: Quentin Tarantino

Escritor: Quentin Tarantino

Estúdio: Universal Pictures

Elenco: Brad Pitt, Diane Krueger, Christopher Waltz, Mélanie Laurent, Eli Roth.


Na França ocupada pelos nazistas, um Coronel alemão conhecido como o "caçador de judeus" assassina uma família inteira e planta a semente da vingança no coração da jovem judia Shosanna. Alguns anos depois, um grupo de militares americanos conhecido como "Bastardos Inglórios" está aterrorizando qualquer pessoa que apareça com um uniforme nazista. Estas duas histórias encontram um ponto em comum quando toda a liderança nazista, incluindo Hitler, Goebbls, Goering e Bormann, resolve ir a uma premiére do filme alemão "Orgulho da Nação".

Os filmes de Tarantino são, acima de tudo, escancarados. Nos créditos iniciais, muito similares aos de Kill Bill e Pulp Fiction, já se nota um toque da mente do diretor, toque que permanece durante todo o filme. A história também se adapta à costumeira "loucura" de Tarantino, que explora no melhor estilo do humor negro, um dos sentimentos mais controversos e primitivos tanto do cinema quanto da vida real: a vingança.

Ao contrário da maioria dos filmes de guerra, Bastardos não tem tanta ação embora tenha violência de sobra. Ao invés de priorizar grandes planos e imagens aéreas, Tarantino aposta no íntimo de cada personagem, se utilizando de muitos closes, diálogos longos, e cenas extensas. Os diálogos são densos e perfeitamente dosados em humor, ameaça e estilo. Os silêncios desconfortáveis de quando um assunto termina e a tensão provocada pelo medo na época do nazismo também estão presentes em quantidades absolutamente calculadas, conferindo realidade a um filme tão irrealista.

Logo no início, já percebemos que a realidade retratada no filme é paralela e alternativa à verdadeira realidade da Segunda Guerra Mundial. Hitler é um palhaço nas mãos dos grandes oficiais - e grandes atores - que o cercam. Brad Pitt está impecável como o ultra-americano Tenente Aldo Raine, que lidera os Bastardos. Seu ar de patriota primitivo é convincente e charmoso ao mesmo tempo. Todos os integrantes dos Bastardos tem presenças marcantes, ainda que possuam poucas falas. Diane Krueger brilha em sua aparição breve e mesmo sua beleza estonteante não é capaz de tirar o foco do seu talento.

O verdadeiro brilho no filme porém é o ator austríaco Christopher Waltz, que interpreta o "Caçador de Judeus" Cel. Hans Landa. Fluente em alemão, francês, inglês e italiano, tanto o ator quanto o personagem impressionam o público com as habilidades linguísticas e sua incrível capacidae de intimidar o inimigo sendo simpático e sorridente, em uma alegoria de um palhaço psicótico. Eu estragaria a surpresa se contasse mais detalhes da performance de Landa, mas basta dizer que mesmo o elenco de peso não foi capaz de distrair o público deste relativamente desconhecido ator.

Outro trunfo do filme é o respeito que Tarantino demonstra pela línguas locais. Uma mistura rápida de francês, inglês e alemão, Bastardos é bem sucedido em imergir o espectador na realidade criada por Tarantino, por mais desconexa e absurda que ela possa parecer. O filme é extremamente emocional, violento, político e bem.. Tarantino. Os cenários belíssimos e a fidelidade à paisagem de guerra da França ocupada ajudam a criar um pano de fundo para os dramas pessoais de cada personagem e todos estes elementos unidos são bem sucedidos em criar uma história inteligente, original, supreendente e divertida, ao mesmo tempo em que provoca choque e reflexão. Embora seja um retrato distorcido da Segunda Guerra, Bastardos Inglórios é um retrato perfeito do cinema inventado por Tarantino. Qualquer que este seja.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Doubt


Ficha Técnica:

Dúvida (Doubt) EUA 2008

"There is no evidence. There are no witnesses. But for one, there is no doubt."

Diretor: John Patrick Shanley

Escritor: John Patrick Shanley (peça e roteiro)

Estúdio: Goldspeed Productions

Elenco: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Viola Davis


Em 1964, em uma escola católica tradicional no Bronx, uma freira extremamente disciplinada levanta suspeitas sobre o envolvimento supostamente sexual de um padre com um aluno negro. O caso não tem provas, mas a irmã Aloysius alega ter certeza absoluta que seu superior cometeu um crime e ela inicia uma luta moral para derrubar o padre que revida com sermões e ameaças.

Dúvida. É com esta palavra que o Padre Flynn (interpretado por Philip Seymour Hoffman) inicia seu primeiro sermão, que é também a primeira cena do filme. Neste sermão, Flynn fala aos fiéis sobre os confrontos morais levantados pela dúvida, sobre como ela pode ser uma tortura para aqueles que buscam o caminho da justiça e de Deus. Independente das palavras, brilhantemente escritas por John Patrick Shanley, é o homem que as fala que já prende a atenção, com um carisma e força dignos de grandes líderes da história.

Mas de que homem estamos falando? Flynn ou Hoffman? O padre moderno ou o ator que lhe dá vida? A verdade é que um não seria capaz de existir sem o outro. E isso é verdade para os três papéis que compõe a trama de Dúvida. Amy Adams e Meryl Streep aparecem com uma série de contrastes, como atrizes e personagens. Enquanto a experiente Aloysius (Streep) já está marcada pelos horrores que viu na vida, James (Amy Adams) passa pelo sofrimento de defender uma ditadora ou um suspeito, ambos seus superiores e pessoas importantes na sua educação religiosa.

A própria história é capaz de despertar o interesse, deixando o espectador tão ansioso quanto os personagens que entram armados com cruzes e palavras neste combate deturpado sobre o certo e o errado. A dúvida que corrói o coração da inocente irmã James, parece ser incapaz de derrubar a certeza arrogante de sua companheira Aloysius e o espectador se vê confuso entre defender um lado ou outro.

Isso só acontece porque a situação é exposta de forma espetacular por John Patrick Shanley, mostrando os lados da história apenas de relance, deixando margem para o trabalho fantástico da imaginação daquele que assiste ao filme. O diretor se utiliza do recurso de completar as lacunas de uma história cheia de falhas e é capaz de dividir uma platéia ao meio. Se defendermos Aloysius, podemos estar condenando um menino excluído, que só tem como amigo o padre Flynn, à infelicidade. Mas se defendermos Flynn, podemos estar colaborando com um dos piores crimes que a humanidade conhece. E é neste instante de indecisão, quando já não sabemos quem defender, que se encontra a força do filme.

Dúvida é uma história sobre pessoas. Acima de tudo, sobre as fraquezas destas pessoas, sobre os demônios internos que elas tem que enfrentar e sobre as decisões difíceis que tem que tomar, nem sempre baseadas em algo sólido. Por esta razão é que o filme pode ser considerado uma obra prima: por retratar, com a competência de granedes atores, as complexas emoções da humanidade, especialmente quando enevoadas pela religião, pela sociedade e acima de tudo, pela incerteza.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Harry Potter and the Half-Blood Prince


Ficha Técnica:

Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince) RU/EUA 2009

"Once again, I must ask to much of you Harry"

Diretor: David Yates

Escritores: Steve Kloves (roteiro)

J.K. Rowling (livro)

Estúdio: Warner Brothers Pictures

Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Bonnie Wright, Michael Gambon, Jim Broadbent, Alan Rickman, Helena Bonham-Carter.


Neste sexto filme da série Harry Potter, os bruxos da escola de Hogwarts são forçados a encarar o desafio cada vez mais próximo da batalha com o Lorde das Trevas, Voldemort. Dumbledore incumbe o jovem Harry a uma missão de suma importância antes de revelar um segredo sobre o seu maior inimigo. Enquanto isso, Hogwarts é dominada pelo medo de uma invasão dos Comensais da Morte e mudanças pessoais drásticas ocorrem na vida dos personagens.

Posso dizer que sou fã dos livros de Harry Potter. Não fã alucinada e etc, mas uma grande admiradora que se apaixonou pelos detalhes de um mundo tão cativante. Com a troca de diretores, roteiristas e abordagens, os filmes não foram capazes de sempre fazer jus ao universo delicado e rico de J.K Rowling. Mas felizmente, assim como os livros, as produções foram melhorando, mostrando a capacidade de conquistarem todo tipo de público e de sair do lugar comum (se é que uma escola de bruxaria pode ser comum), para mostrar o lado sombrio, difícil e interessante de uma história que parecia já ter dado tudo o que tinha para dar.

É nesta nova abordagem que o diretor David Yates (que também dirigiu o anterior "A Ordem da Fênix) se apoia. Ele deixa de lado as expressões de assombro de um Harry deslumbrado para dar lugar à transparência das emoções de um menino perturbado pelo seu passado e diante de um futuro incerto e assustador. Harry é, pela primeira vez, confrontado com as verdadeiras dificuldades de ser "o menino que sobreviveu".

Além dos óbvios desafios de enfrentar as artes das trevas, os protagonistas devem lidar (também pela primeira vez) com as dores do amor. Fica mais do que óbvio o romance-que-sempre-esteve-lá, entre Hermione e Rony e, mais complexamente, Harry descobre sua paixão pela menina Weasley de uma forma mais brusca do que no livro, mas ainda assim, sutil o suficiente para encantar.

O filme, em uma mudança inesperada, não deixa de lado os pequenos detalhes que transformam o universo de Rowling em algo tão único, para dar lugar somente ao desespero. Muito pelo contrário. O diretor se esforçou para mostrar que a boa magia (no cinema e no livro) ainda estava lá, com cenas preciosas como a filmagem da loja de traquinagens dos gêmeos Weasley em meio a um beco em ruínas, ou os famosos jantares na torre e os livros flutuando para as prateleiras à medida que Hermione conversa displicentemente com Harry. São estas coisas que são capazes de lembrar ao espectador que ele está assistindo uma história única, sobre magia e beleza, embora todo o mundo pareça desmoronar em volta das figuras que todos aprenderam a amar.

O brilhantismo de David Yates está na dosagem perfeita deste novo lado negro de Hogwarts com romance e comédia moderada. Os encantos infantis, agora desaparecidos, deram lugar ao sarcasmo e à troca de diálogos afiados entre os adolescentes e professores. Surpreendentemente, o trio que sempre foi o mais fraco no quesito atuação, melhorou consideravelmente, deixando de lado a vontade de aparecer pela vontade de fazer o espectador acreditar nas complexas emoções que eles tem que vivenciar. É claro que, perto de talentos estupendos como Michael Gambon que vive Dumbledore, e Alan Rickman, que encarna o duvidoso professor Snape, a atuação dos jovens ainda fica apagada, mas cumpre o propósito de fazer corações novos suspirarem a crítica sorrir.

Mas é, sem dúvida, o lado negro desta nova produção que coloca Harry Potter em um patamar acima, para deixar de ser apenas um filme de fantasia e se transformar em um espetáculo de câmeras, falas, choros e risadas. Ele é extremamente bem sucedido em colocar o espectador dentro de Hogwarts, nas ruas apertadas do Beco Diagonal ou na -agora não tão alegre - Hogsmeade.

Este sexto filme deixa os espectadores e fãs com água na boca, ansiosos pela última parte da série que, para os desavisados, será dividida em duas: uma com a estréia prevista para 2010 e a outra para 2011. É hora de aguardar por Harry Potter e as Relíquias da Morte e comprovar se ele vai conseguir finalizar com a chave de ouro que acabou de ser apresentada ao mundo.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

domingo, 26 de julho de 2009

Comme les autres


Ficha Técnica:

Baby Love (Comme Les Autres) França 2008

Diretor: Vincent Garenq

Escritor: Vincent Garenq

Estúdio: Canal +

Elenco: Lambert Wilson, Pascal Elbé, Pilar Lopez de Ayala, Anne Brochet


Philippe e Emannuele, ou Manu, são dois homossexuais levando uma vida perfeita. Moram juntos, se amam muito e tem muitos amigos. Mas nem tudo é tão perfeito quanto parece: Manu quer, mais do que tudo, um filho. Philippe defende que não é natural que dois gays tenham filhos. Manu decide se separar e tentar de todas as formas adotar uma criança. Quando tudo parece perdido, ele conhece a simpática Fina, que concorda em carregar sua criança se ele se casar com ela para que ela deixe de ser imigrante ilegal na França.

Comédia romântica à francesa. Moderna e irreverente, divertida e talentosa, esta obra prima do cinema tem tudo pra deixar qualquer um pensando e sorrindo. Esta é a grande diferença entre este e os outros filmes do gênero: ao invés de tentar fazer o espectador gargalhar, para no final oferecer uma cena clichê, ele se esforça para faze-lo sorrir e se emocionar aos poucos com uma história tão controversa e original como a de Manu.

Lambert Wilson, que já apareceu em superproduções americanas como Matrix, prova ser capaz de qualquer papel como o elegante, mas inseguro Manu. A maior qualidade do filme, porém, é essa discussão, que começa a ficar cada vez mais evidente, sobre os direitos dos homossexuais. Manu defende a visão de que todos tem o direito de ser pais, independente da opção sexual. Mas muitos, como o próprio Philippe, acreditam que não é natural e pode ser até traumático para uma criança ser criado por pais do mesmo sexo.

Fina, a jovem argentina, aparece para contrabalancear essa equação e para complicar ainda mais a vida já conturbada de Manu. Ela acredita e aceita o amor homossexual de Manu, mas acaba descobrindo uma nova forma de amor. As situações engraçadas não tem a exclusividade de fazer rir, mas de tentar colocar o espectador dentro da mente e do coração de seus personagens, com a dose de drama e romance necessária para fazer pensar.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

La Môme


Ficha Técnica:

Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme) França 2007

"The Extraordinary Life of Edith Piaf"

Diretor: Olivier Dahan

Escritores: Olivier Dahan e Isabelle Sobelman

Estúdio: Légende Films

Elenco: Marion Cotillard, Gérard Depardiéu, Sylvie Testud, Emmanuelle Seigner, Jean-Pierre Martins.


Piaf - Um Hino ao Amor conta a história da brilhante e controversa cantora francesa Edith Piaf. Da miséria ao estrelato, o filme passa por todos os obstáculos da vida da cantora que sacrificou tudo na vida em nome da sua paixão: a música.

Provavelmente existe um milhão de maneiras para se contar a trágica história da cantora Edith Piaf. Mas Olivier Dahan pensou na milionésima primeira. A começar pelas primeiras cenas, o diretor já apela para a curiosidade do espectador, ansioso por descobrir o que aconteceu para que a protagonista desabasse em pleno (e belíssimo) palco. Gravidez? Doença? Drogas? A mente de quem assiste ao filme já se enche de perguntas e quando a câmera viaja suavemente para um bairro pobre de Paris, muitos anos antes, a satisfação de compreender as causas do posterior comportamento da cantora já se instalam.

Mas, ao contrário da maioria dos filmes biográficos, Piaf... não segue um estilo narrativo linear, contrastando a todo tempo a infância da artista com seus abandonos e sofrimentos com a vida adulta regada a álcool e problemas de saúde. É justamente nesse jogo de cenas perfeitamente executado que se encontra a beleza de Piaf e o seu diferencial. Visões sobrepostas da glória dos palcos e da miséria das ruas tem como pano de fundo as canções que marcaram época e que ainda vivem na alma da França. A reconstrução da decadente região de Montmarte com seus bordéis e cabarés só pode ser descrita como genial, servindo como cenário para a problemática infância da menina Edith, criada entre prostitutas, trocando de lar e servindo como instrumento de trabalho para o pai.

Os ângulos usados para cercar a personagem Piaf, refletem essencialmente o seu estado de espírito, encurralado como o pássaro de quem é tirado o seu nome. O dramatismo é sutil, sem apelar para as lágrimas do espectador. Embora a história da cantora seja trágica e repleta de episódios quase inacreditáveis, o diretor escolheu focar o filme em seu talento, regando todas as cenas com as canções, normalmente alegres, de sucesso de Edith. Ironicamente, uma das cenas mais belas do filme mostra Piaf no palco, pela primeira vez em um Music Hall, mas nenhum som sai de sua boca quando ela canta. Presenciamos a linguagem corporal da cantora provocando risadas e reações de aprovação da platéia inicialmente exigente. É também neste momento que conseguimos perceber parte do talento da brilhante Marion Cotillard.

A compreensão da condição de vida de Piaf é essencial para que seu comportamento reprovável e antipático seja compreendido. E, embora seja brilhante em todos os aspectos técnicos, o filme tem seu maior trunfo na performance arrepiante de Marion Cotillard, que lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz em 2008. A bela moça teve que se transformar na semi-corcunda, esquelética e apavorada figura de Edith Piaf com muita maquiagem e muito talento, como tinha feito a outra bela, Charlize Theron, em Monster -Desejo Assassino. Desde a postura aos contidos gestos com as mãos, Cotillard é de fazer cair o queixo e aplaudir de pé, como a artista que encarna. A voz é trabalhada para parecer com o estilo "taquara rachada" da cantora francesa e representa uma das maiores vitórias da relativamente "estreante" atriz.

Durante toda a duração do longa, o espectador é fisgado para o mundo de derrotas e tragédia que cercou Edith Piaf, judiada, abandonada, sofrida, doente, alcoolatra e extremamente talentosa. Mas ao fim, graças a competência da execução e da beleza da obra em si, é capaz de compreender porque o único conselho que Edith Piaf dá a todas as pessoas é: ame.


Fico por aqui hoje.

Até a próxima.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Changeling


Ficha Técnica:

A Troca (Changeling) EUA 2008

"To find her son, she did what no one else dared"

Diretor: Clint Eastwood

Escritor: J. Michael Straczynski

Estúdio: Imagine Entertainment

Elenco: Angelina Jolie, Gattlin Grifith, Michael Kelly, John Malkovich


Na Los Angeles do fim da década de 20, um ano antes da grande depressão uma mãe amorosa vive um drama inacreditável. Seu filho, Walter Collins é raptado e supostamente localizado pela polícia de Los Angeles, meses depois. Quando a esperançosa Christine Collins se encontra com o garoto encontrado, ela percebe que a polica cometeu um erro. Mas é tarde e os policiais, desesperados por apoio, contradizem as informações da mulher que continua a afirmar que o menino encontrado não é seu filho. Christine inicia então uma luta desesperada contra a polícia corrupta, a mídia e todos aqueles que querem impedi-la de encontrar o filho.

Clint Eastwood não tem, na minha opinião, metade do talento como ator que tem como diretor. Os filmes que tem seu nome na direção, quase sempre cumprem o objetivo de emocionar com histórias sobre luta e resistência diante das adversidades. A Troca não é diferente. É como um daqueles filmes onde uma pessoa vê espíritos, mas o espectador fica aflito ao ver que ninguém acredita na história contada. Uma situação semelhante, mas muito pior, acontece com Christine Collins. Não bastasse passar pelo drama de perder o filho, a mulher é forçada a conviver com um menino que não conhece e que toda a sociedade acredita ser seu filho.

Obviamente, quando Christine começa a dar problemas, a polícia de Los Angeles usa do poder para chama-la de louca e desacredita-la, apoiada pela mídia e pelos cidadãos. E será que esta situação está tão longe da nossa? Uma voz, esmagada e silenciada pelo poder corrupto e deprimida pela falta de justiça no mundo. Angelina Jolie brilha como a Sra. Collins, com um atuação que lhe rendeu uma bem merecida indicação ao Oscar. Seu rosto, normalmente tão sensual e seguro, mostra uma face triste, capaz de transmitir os sentimentos mais profundos da personagem para os espectadores.

Dezenas de outros elogios técnicos podem ser feitos sobre A Troca. O talento de John Malkovich como o Reverendo que ajuda Christine, a maquiagem que complementou a doença proveniente da tristeza de Angelina Jolie, a fotografia maravilhosa e a direção de arte impecável de recriação de uma Los Angeles que nada tinha de glamourosa, com carros antigos e ruas escuras. As câmeras próximas, angustiantes e apertadas que transmitem a atmosfera de desespero e desolação de Christine. Embora todos estes aspectos chamem a atenção, o que faz A Troca especial é a história (baseada em fatos reais) de uma mulher cuja perseverança serviu de exemplo para a sociedade que acreditava que justiça não poderia ser feita.


NOTÌCIAS: Como eu não vou dar ao MTV Movie Awards o espaço de post inteiro, pelo simples fato de que não o respeito como prêmio, o mencionarei aqui. Posso levar pedradas na rua por dizer isso, mas todo bom cinéfilo, amante de cinema, profissional do ramo ou simplesmente uma pessoa com bom senso sabe que o prêmio reflete popularidade e não qualidade. Para provar, basta falar do prêmio principal da noite, de Melhor Filme que foi para o péssimo Crepúsculo, deixando para trás Slumdog Millionaire e O Leitor. Além desta atrocidade óbvia, os igualmente péssimos Kristen Stewart e Robert Pattinson também levaram suas pipocas de ouro, desbancando atrizes como Kate Winslet e Taraji P. Henson. Brincadeira.


Fico por aqui hoje!

Até breve!


quinta-feira, 26 de março de 2009

Gone with the wind


Ficha Técnica:

...E o vento levou (Gone with the wind) EUA 1939

"The most magnificent picture ever"

Diretor: Victor Fleming

Escritores: Margaret Mitchell (romance)

Sidney Howard (roteiro)

Estúdio: Selznick International Pictures

Elenco: Vivian Leigh, Clark Gable, Hattie McDaniel, Leslie Howard, Olivia de Havilland


Em meio ás dores da guerra da secessão nos EUA, a jovem Scarlett O'Hara tem planos próprios. Embora seja o objeto de desejo de todos os homens, ela quer apenas um que não a ama: Ashley Wilkes, prestes a se casar com a bondosa Melanie. Mas a surpresa vem para Scarlet na forma do visitante de Charleston, um homem diferente e um tanto rude chamado Rhett Butler. Forçada a enfrentar a realidade dura da guerra, Scarlet se transforma de jovem mimada em fazendeira trabalhadora, amante de sua terra de Tara. Rhett e Scarlett criam então uma vida a dois cheia de amor escondido e ressentimento.

...E o Vento Levou é um clássico. Isso não pode ser debatido. Mas mesmo depois de 70 anos, ele continua tão espetacular e de tirar o fôlego como sempre foi. Poucos filmes, hoje ou há 70 anos podem se igualar à fotografia perfeita do romance, repleta de paisagens belas do campo americano. A guerra de secessão se transforma em pano de fundo para uma história de vida espetacular, e Scarlett O'Hara se tornou uma das primeiras heroínas da história do cinema. Sua força, paixão e vivacidade a transformavam numa personagem muito a frente do seu tempo, interpretada com maestria pela belíssima Vivian Leigh.

Esqueçam o romance do século 21. Embora antiquado, o romance do filme é extremamente apelativo ainda hoje e o casal Scarlett e Rhett parece ter sido inspirado na megera domada de Shakespeare, com os melhores toques do Sul dos EUA. A música que serve de trilha sonora para o filme é uma das mais belas já compostas para a sétima arte e pode ser apreciada mesmo anos depois de sua criação. Preparem-se, porém: três horas e meia de duração para um filme da década de 30 não é exatamente o esperado, mas vendo o longa com olhos para apreciar sua beleza, é garantia de que as três horas passarão muito normalmente. Uma belíssima obra prima com grandes nomes do cinema e um clássico para ser apreciado por muitas gerações ainda por vir.


CURIOSIDADES: Na famosa cena de beijo entre Scarlett e Rhett, a atriz que interpretou Scarlett, Vivian Leigh, declarou ter detestado o beijo do ator Clark Gable devido ao seu mau hálito. Mas a cena não perdeu nada com isso.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

terça-feira, 10 de março de 2009

Watchmen


Chegamos a mais uma marca no Sétima Arte gente! Mais de 150 postagens no ar! UHUUU!! Obrigada a todos vocês que tiraram minutos do dia pra ler minhas tentativas de crítica e espero que vocês continuem a aproveitar o cinema com tudo que ele oferece. A escritora que vos fala está fazendo um curso de crítica e teoria cinematográfica e eu espero brevemente poder dar relatos mais detalhados sobre os filmes que rolam por ai!

E agora ao nosso filme de hoje


Ficha Técnica:

Watchmen (Watchmen) EUA 2009

"Justice is coming to all of us. No matter what we do"

Diretor: Zack Snyder

Escritores: David Hayter e Alex Tse (roteiro)

Alan Moore (graphic novel)

Estúdio: Warner Bros Pictures

Elenco: Malin Akerman, Billy Crudup, Jackie Earle Haley, Stephen McHattie


Depois do assassinato de um dos vingadores, um grupo de justiceiros da década de 70, Rorshac, um dos únicos remanescentes heróis parte em uma busca por vingança e esclarecimento sobre o que está fazendo com que todos os seus amigos desapareçam e deixem de atuar como os justiceiros que um dia foram.

Watchmen foi votado em 2008 como o filme mais esperado de 2009. Não que isso faça alguma diferença no resultado final, mas filmes que tem um marketing tão pesado e adiantado como o de Watchmen acabam tendo que preencher expectativas que o público nem sequer sabia que possuía. O diferencial do filme e da história, porém, é a completa ausência deste duelo entre o bem e o mal, tão comum nas histórias em quadrinhos. Os heróis não são bem heróis e os vilões são aqueles com os quais todos os mortais, reais ou não, precisam lidar todos os dias: guerra, destruição, violência e o apelo emocional da mídia.

O filme é inteiramente focado nos fortes e inúmeros distúrbios emocionais dos antigos justiceiros que veem suas vidas reduzidas a uma rotina anti-natural, incapazes de fazer aquilo que nasceram para fazer. Afinal de contas, como alguém pode deixar de ser um super-herói? Passar de combater o crime para declarar o imposto de renda? É nestas mudanças e nesta crítica sobre como a sociedade é patética, imersa em sua própria rotina infeliz, que o filme se sustenta. Embora tenha um argumento inteligente e original, Watchmen deixa a desejar no quesito ação (que é de se esperar em um filme do seu estilo, ainda que em proporções pequenas) e em alguns personagens que não tiveram suas personalidades trabalhadas pelos atores ou pelo diretor.

O duelo moral e interno de personagens complexos como Rorshac ou o incrível Dr. Manhattan conquista o espectador, mas infelizmente, depois de quase duas horas de duração, ele já não convence mais e o público aguarda ansioso por uma mudança no cenário repetitivo, ansiando por algo inesperado e desesperado para sair das cabeças perturbadas dos personagens que o acompanham.


DICA: Então pessoal, pra ser justa eu recentemente descobri um site muito interessante sobre cinema e o tenho acompanhado durante um tempo. Tem muito material, novidades, críticas e mais um monte de bobagenzinhas para nós cinéfilos. O endereço é http://www.cinemaemcena.com.br/. Aproveitem!


Fico por aqui hoje!

Até breve!

terça-feira, 3 de março de 2009

Tropa de Elite


Ficha Técnica:

Tropa de Elite (Elite Squad) Brasil 2007

"Nas ruas do Rio de Janeiro, só a elite sobrevive"

Diretor: José Padilha

Escritores: André Batista (livro)

Bráulio Mantovani (roteiro)

Estúdio: Zazen Produções

Elenco: Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, Fernanda Machado, Fábio Lago


Em Tropa de Elite, o Capitão Nascimento do batalhão de operações especias do Rio, o BOPE, precisa achar um substituto para ele, as vésperas da visita do papa ao Brasil. Ele é designado para treinar uma nova turma para o BOPE e passa a observar de perto dois aspirantes a agentes: André Matias e Neto.

Tropa de Elite chegou no momento certo para chamar a atenção do mundo para o crescimento do cinema brasileiro. Excelentes atores, cenários impecáveis e uma história cativante já eram suficientes para colocar o filme no topo das listas de críticos e de público. Mas a originalidade da abordagem sobre o crime nas favelas e a fiel retratação da realidade transformam Tropa de Elite em uma experiência política e social que gerou questionamentos em diversos países sobre a situação da "guerra civil" no Rio de Janeiro.

O carisma do implacável Capitão Nascimento o transformou em um ídolo nacional e ajudou o já bem sucedido e talentoso Wagner Moura a mostrar do que era capaz para aqueles que ainda não tinham tido a oportunidade de observar sua atuação. O filme é repleto de conflitos morais extremamente discutíveis, mas que mostra apenas o lado dos policiais, fato pelo qual foi muito criticado. Um dos únicos filmes brasileiros que mostram um elenco não tão "estrela", mas que impressiona na hora de mostrar serviço desde o principal até o figurante.

O cenário do Rio contribuiu para o sucesso do filme e é mais um exemplo de como a realidade que retrata pode tocar muito mais aqueles que estão cientes dela do que aqueles que nem sequer sabiam de sua existência. O filme serviu para mostrar que embora o cinema dê prioridade aos conflitos civis na África ou a guerra no Oriente Médio, o Brasil possui um drama pessoal do tipo mais perigoso: um poder paralelo, escondido dos olhos do globo.


NOVIDADES: A Walden Media em parceria com a FOX definiram a data de estréia do terceiro "As Crônicas de Nárnia" para 10 de dezembro de 2010. Desde que a Disney anunciou que não iria financiar o projeto, rumores correram sobre o cancelamento da produção, mas a Fox se apressou em apanhar as sobras e agora está na cabeça das filmagens que começam no verão americano.


Fico por aqui hoje!

Até breve!



domingo, 1 de março de 2009

Slumdog Millionaire


Ficha Técnica:

Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire) RU/França 2008

"Do you believe in destiny?"

Diretor: Danny Boyle

Escritores: Simon Beaufoy (roteiro)

Vikas Swarup (romance)

Estúdio: Pathé

Elenco: Dev Patel, Freida Pinto, Ankur Vikal, Madhur Mittal


Jamal Malik é morador de uma favela em Mumbai, na Índia. Quando ele participa de um programa de TV e ganha 10 milhões de rúpias, a polícia suspeita de fraude e o leva para um interrogatório. Jamal precisa então explicar como é possível que ele tenha acertado respostas que médicos, advogados e outros muito mais educados não teriam acertado.

Slumdog Millionaire chamou a atenção do mundo ao conquistar oito Oscars na cerimônia dos Academy Awards este ano, incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado. Preciso dizer que fiquei curiosa, mas o que vi não é nada perto do que eu esperava. Com um elenco desconhecido de astros indianos e uma história que poderia facilmente ter se tornado maçante, o filme é uma verdadeira obra prima, desde a inesquecível trilha sonora até a maneira extremamente interessante e inusitada de contar a vida de Jamal.

Um dos pontos fortes do filme é justamente a definição de cultura e inteligência, abordada com maestria pelo diretor Danny Boyle. Quando perguntado como é possível que tenha acertado tantas respostas, Jamal fornece à polícia uma narrativa completa e real de sua vida, mostrando com detalhes como cada resposta chegou a sua vida. Sua cultura, embora fosse de um favelado (como é chamado o tempo todo), era melhor que a de outros por um truque do destino. As perguntas que foram sorteadas para ele eram exatamente as que ele sabia responder.

A idéia de destino por sua vez é o argumento central do filme. Tudo na vida de Jamal parece ter convergido na direção que ele tomava naquele momento. Sua vida, embora seja miserável e dramática, em momento algum transparece com o choque excessivo que vemos nos filmes brasileiros como "Cidade de Deus" e etc. O clima é de felicidade e bem estar e é uma garantia infalível que o espectador sairá da sala de cinema tocado, satisfeito e feliz. A beleza da história está impregnada em cada diálogo e cena e a originalidade da produção se reflete na impecável qualidade técnica. Simplesmente imperdível.


NOTÍCIAS: Está confirmada a data de estréia do filme do herói Lanterna Verde da DC Comics, para 17 de dezembro de 2010. Quem está na direção é Martin Campbell de "Cassino Royale" e segundo rumores, Campbell teria convidado o ator Anton Yelchin de "Apha Dog" para participar da produção. Este rumor ainda não é confirmado.


Fico por aqui hoje!

Até breve!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

The Curious Case of Benjamin Button


Ficha Técnica:

O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button) EUA 2008

"Life isn't measured in minutes, but in moments"

Diretor: David Fincher

Escritores: Eric Roth e Robin Swicord (roteiro)

Estúdio: The Kennedy/Marshall Company

Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Tilda Swinton, Julia Ormond, Taraji P. Henson


No dia em que o furacão katrina atingiu Nova Orleans, uma velha senhora, Daisy, pede para que sua filha Caroline leia para ela o diário de um homem chamado Benjamin Button. Caroline começa então a contar a história de Benjamin que nasceu nas mais curiosas circunstâncias, com todos os sintomas de um homem velho. Mas o bebê que parece ter pouco mais do que alguns dias de vida se prova ainda mais extraordinário quando começa a rejuvenecer a medida que todos os outros envelhecem.

Benjamin Button foi indicado para treze Oscars este ano e levou para casa apenas três. Mas as indicações refletem a majestade e sensibilidade de um filme completamente original, surpreendente e emocionante. O filme se utiliza do melhor que a maquiagem e efeitos visuais tem a oferecer, aliando-os com a atuação impecável de grandes atores, uma direção brilhante e um roteiro original. O argumento já basta para fazer o espectador pensar: o que seríamos capazes de fazer se tivéssemos um corpo jovem com todas as experiências e a sabedoria da velhice? Sem dúvida, seria uma vantagem, mas o preço é alto demais para qualquer um suportar. Benjamin é forçado a enfrentar uma solidão imensurável, ainda que esteja rodeado de pessoas que o amem e de aventuras que o tornam cada dia mais jovem. Ele é afinal de contas o único remando contra a maré da natureza e a morte é uma presença constante.

Benjamin é, ainda por cima, criado em um asilo, o que lhe dá o testemunho em primeira mão de compreender as dificuldades da idade embora ele mesmo nunca vá sofrê-las. Ou melhor, ele não está indo em direção a elas. Brad Pitt é impecável e mostra mais uma vez sua capacidade de se adaptar a todo tipo de papel. O desafio que ele enfrenta nunca foi feito antes: interpretar o corpo de um velho, com a mente de uma criança. Sua situação sensibiliza o espectador desde o primeiro momento e torna impossível desviar os olhos de suas peripécias pelo mundo. As duas protagonistas femininas, Cate Blanchett e Taraji. P Henson não são ofuscadas por Pitt e dão também shows de atuação interpretando duas mulheres que vêem o curioso Benjamin de formas completamente diferentes. O sentimento maternal de Taraji é visto em cada olhar e movimento enquanto Blanchett exibe elegância, juventude e amor em cada cena.

As três horas de filme são cruciais para mostrar a lentidão do desenvolvimento da vida de Benjamin e para imergir o espectador nesta inacreditável história de vida. Outros aspectos como a fotografia brilhante e os diálogos perfeitamente escritos contribuem para fazer de Benjamin Button um filme inesquecível e uma experiência única como só o cinema pode trazer.


NOTÍCIAS: Cate Blanchett confirmou sua participação no novo longa "Robin Hood". O filme conta a história do infame príncipe dos ladrões e terá Russel Crowe no papel principal e Ridley Scott, de "Gladiador" na direção. O projeto tem previsão de lançamento para 2010.


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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Nights in Rodhante


Ficha Técnica:

Noites de Tormenta (Nights in Rodanthe) EUA 2008

"It's never to late for a second chance"

Diretor: George C. Wolf

Escritores: Ann Peacock e John Romano (roteiro)

Estúdio: DiNovi Pictures

Elenco: Richard Gere, Diane Lane, Viola Davis, James Franco


Um médico assombrad por lembranças faz uma viagem para tentar encontrar seu filho e restabelecer uma antiga relação com ele. No caminho, ele encontra uma pequena pousada na Carolina do Norte que está sendo administrada pela amiga da proprietária, a doce e mal casada Adrienne Willis. Devido ao anúncio de uma tempestade, Adrienne e Paul ficam presos na pousada e passam a se conhecer dia após dia, escutando e descobrindo as fraquezas um do outro, até que descobrem que não é tarde demais para se apaixonar.

Noites de Tormenta é diferente de qualquer romance bobo, justamente porque não envolve os costumeiros e confusos casais que experienciam o amor pela primeira vez. Não é sobre conversas afiadas e respostas prontas, nem mesmo sobre o charme do galã Richard Gere, mas sobre a humanidade de duas pessoas que já tinham abandonado o amor pela vida e por si mesmos, depois de cometerem erros que qualquer um podia sofrer. É sobre se apaixonar duas vezes e saber sentir o tipo de amor que faz com que acreditem que podem ser o que quiserem.

Os problemas que atormentam tanto Adrienne quanto Paul, podiam acontecer com qualquer um, mas a amargura de cada um os faz encara-los com dificuldade. O filme explora a beleza de solucionar os problemas dentro e fora de si, quando existe alguém que te ama ao seu lado. O amor vivenciado por Paul e Adrienne é tao necessário, carinhoso e intenso que derrete o coração dos mais duros e céticos. Tanto Diane Lane quanto Richard Gere conseguiram conferir aos personagens a intensidade que necessitavam para manterem o público de olhos colados na tela e com o coração apertado de emoção.

A beleza da história, da fotografia e das doces cenas de amor, fazem de Noite de Tormenta um filme de aprendizado profundo sobre as emoções humanas e sobre esperança nas surpresas da vida.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

The Other Boleyn Girl


Ficha Técnica:

A Outra (The Other Boleyn Girl) EUA/RU 2008

"The only thing that could come between these sisters... is a kingdom"

Diretor: Justin Chadwick

Escritor: Peter Morgan (roteiro)

Philippa Gregory (romance)

Estúdio: Universal Pictures

Elenco: Natalie Portman, Scarlet Johansson, Eric Bana, Jim Sturgess.


Ana e Maria Bolena são duas irmãs inseparáveis, igualmente belas, mas com gênios muito diferentes. Quando a oportunidade se apresenta, a mais ambiciosa e astuta das duas, Ana, é oferecida como amante para o rei da Inglaterra Henrique Tudor. Depois de preferir Maria à sua irmã, uma rixa terrível se instala na família e a ambiciosa Ana fará de tudo para conquistar o amor do Rei, o que mais tarde culminaria no rompimento da Inglaterra com a Igreja católica e em um dos maiores escândalos já vividos na monarquia.

A Outra é baseado na história real do caso vivido entre Henrique Tudor e Ana Bolena. O filme deixa bem claro que algumas vezes a realidade é realmente mais estranha, assustadora e escandalosa do que a ficção. Como a luta pelo poder foi capaz de dividir uma família, provocar ações desesperadas das quais a única que saiu ilesa foi Maria, conhecida por sua gentileza e honestidade. Scarlet Johansson não podia estar mais perfeita para o papel da angelical irmã mais nova das Bolena, Maria, com seu rosto perfeito de boneca de porcelana. O sofrimento de Maria, causado pela irmã maldosa Ana, é visível em cada expressão de Scarlet que conquista o espectador com sua inocência.

O verdadeiro brilho de A Outra no entanto está na atriz Natalie Portman que recebeu a difícil tarefa de representar a ambiciosa e manipuladora Ana, que apunhala a irmã pelas costas absolutamente sem motivos. Sendo a realidade mais estranha do que a ficção, a história nos mostra que tudo de ruim que Ana fez volta bem mais do que dobro para ela e sua vida se torna um inferno onde todos os olhos da Inglaterra ficam sobre ela e seu plano acaba não saindo tão perfeitamente. Desde "V de Vingança", Natalie Portman demonstrou sua habilidade extraordinária de representar o sofrimento, fazendo o espectador acreditar em cada lágrima. Sua atuação é tão convincente que a platéia fica confusa sobre odiar ou ter pena de Ana Bolena. Seu destino trágico acaba por decidir esta batalha.

Eric Bana é ofuscado pelas duas atrizes, mas executa bem seu papel na pele de Henrique Tudor. Uma história sensual de amor e traição, um excelente filme, que garante diversão para os que querem fugir das "loucuras" excessivas do cinema e presenciar a verdadeira história de duas mulheres fortes e inseparáveis.


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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Rescue Dawn


Ficha Técnica:

O Sobrevivente (Rescue Dawn) EUA 2006

"A true story of survival...declassified"

Diretor: Werner Herzog

Escritor: Werner Herzog

Estúdio: Gibraltar Films

Elenco: Christian Bale, Steve Zahn, Jeremy Davies


Durante uma missão secreta na guerra do Vietnã, o piloto da força aérea americana Dieter Dengler tem seu avião abatido e cai na região de Laos. Dieter é capturado por camponeses e levado a um campo de prisioneiros onde ele e mais cinco companheiros sofrem diariamente com a fome, tortura e tentam armar um plano para fugir no meio da selva.

Se pudesse resumir em uma palavra a experiência de assistir a O Sobrevivente, esta palavra seria surpresa. Christian Bale, eternamente marcado pelo Batman, interpreta um homem forte e obstinado em um lugar onde a última coisa que uma pessoa pode ter é esperança. A história real de Dieter Dengler é repleta de emoção e não há meios de o espectador se manter alheio a realidade que é apresentada cena após cena com uma verossimilhança terrível. As condições de vida dos camponeses já não é boa: calor, insetos, falta comida e abrigo. Mas pior é ser maltratado por estas pessoas e adicionar a todos estes fatores uma dose diária de agressão verbal, humilhação e tortura.

Em uma espécia de recuperação do histórico Apocalipse Now de Coppola, o diretor e escritor Werner Herzog mostra o estado lastimável que as mentes de cada um dos prisioneiros chega depois de tanto tempo envolvido em um ambiente tão desprezível. É melhor ser louco e imaginar uma realidade do que ter de enxergar todos os dias a verdadeira realidade, a mínima chance de escapar e o horror da guerra. Dieter porém encontra forças para manter seus pensamentos organizados e tentar achar uma saída, ajudando os companheiros a manterem a compostura e cuidando deles mesmo quando ele mesmo precisa de cuidados.

Com uma visão peculiar que retrata com lentidão o dia a dia dos prisioneiros, o diretor consegue transmitir ao público boa parte da intensidade de uma história de vida que merece ser lembrada por todos os seus aspectos, da coragem à amizade.


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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

The Truman Show


Ficha Técnica:

O Show de Truman (The Truman Show) EUA 1998

"All the world's a stage"

Diretor: Peter Weir

Estúdio: Paramount Pictures

Elenco: Jim Carrey, Ed Harris, Laura Linney, Paul Giamatti


Truman Burbank é um cara como outro qualquer. Um vendedor de seguros simpático, morador de um bom bairro, com alguns traumas de infância, em especial relacionados ao pai. Nada de anormal. Exceto pelo fato de que, sem saber, Truman tem sua vida passada em um estúdio gigantesco, onde todas as pessoas que conhece, inclusive sua esposa, são apenas atores e atrizes interpretando os mais variados papéis. Câmeras escondidas revelam ao mundo as verdades diárias do programa de TV mais famoso de todos os tempos: O Show de Truman. Mas quando o homem tranquilo começa a perceber as estranhezas em sua realidade, um desafio ético começa a tomar conta do mundo, e Truman precisará de toda a ajuda e persistência para descobrir extamente o que estão fazendo com ele.

A idéia de O Show de Truman em uma era onde reality shows explodem a todo momento já é revolucionária e inteligente o suficiente para encantar o público e a crítica. A isto, adicione um personagem adorável, uma interpretação brilhante do normalmente exagerado Jim Carrey e um discurso perfeito de vendas do falso moralista dono do programa, representado por Ed Harris e você terá em mãos uma verdadeira obra prima. E é exatamente isto que o filme é: uma obra prima, de inteligência incontestável e intensidade quase incômoda. O vício do ser humano pela privacidade alheia é posto da forma mais suja e cruel possível, ao expor todos os detalhes de um bom homem para o mundo aplaudir como uma novela barata.

A pergunta paira no ar: até onde a humanidade deixaria isto acontecer sem protestos? Até onde seria aceitável expor a realidade de uma pessoa dessa maneira? Todas as angústias, fraquezas, amores, deslizes, tudo registrado em uma câmera de vídeo. Nenhum ser humano é perfeito, mas todos possuem fatos sobre si mesmos que podem esconder enquanto o único refúgio de Truman, o único lugar onde as câmeras não conseguiam entrar era sua mente. Sentindo pena de Truman, alguns espectadores menos egoístas tentam avisá-lo sobre sua vida baseada em mentiras, apenas para serem derrubados pela necessidade de Ibope. Embora seja um filme de proporções exageradas, O Show de Truman não está tão longe da realidade que vivenciamos e é por este fato, por esta exploração incômoda de um dos nossos maiores egoísmos é que o longa alcança seu lugar ao lado de grandes obras primas, lembradas eternamente por sua inteligência e originalidade.


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domingo, 26 de outubro de 2008

Awake

Ficha Técnica:

Awake - A vida por um fio (Awake) EUA 2007

"Every year, one in 700 people wake up during surgery"

Diretor: Joby Harold

Estúdio: GreeneStreet Films

Elenco: Jessica Alba, Terrence Howard, Hayden Christenssen, Lena Olin

Clay é um rapaz rico e bem sucedido e está prestes a se casar com a mulher dos seus sonhos, por quem está profundamente apaixonado. Desafiando a desaprovação de sua mãe, Clay se casa com Sam e logo em seguida recebe uma notícia que pode mudar sua vida: estando na fila para transplantes de coração há muito tempo, Clay é chamado para fazer sua sonhada cirurgia. Durante a cirurgia porém, Clay descobre que sofre de uma doença muito rara chamada de "consciência anestésica", onde embora não possa se mexer ou falar, o paciente permanece acordado e em alerta durante todo o procedimento. Devido a este fato, Clay descobre coisas inimagináveis e precisa lutar, mesmo que em espírito para salvar sua própria vida.

Eu imaginava que Awake fosse outro tipo de filme. Algo como "Antes que termine o dia" onde alguém vai morrer, mas o amor prevalece como lição de moral. Fiquei extremamente satisfeita ao constatar que este não era o caso de Awake, nem mesmo de longe. O filme é um suspense agonizante, completamente original, com surpresas que literalmente deixam o espectador de queixo caído. O fato de uma doença tão horrível como a da consciência anestésica já é assustador o suficiente, mas o diretor Joby Harold faz sua estréia com maestria em Awake, não concentrando o fato na doença, e sim nos acontecimentos pessoais surpreendentes da vida de Clay.

A escolha dos dois atores principais não é das mais felizes. Jessica Alba é simplesmente triste em qualquer filme embora seja muito bonita (o que costuma ser seu único atributo e função: enfeitar). Hayden Christensen não é horrível, mas pode-se dizer que ainda é um ator em desenvolvimento. Terrence Howard e Lena Olin são excelentes é provavelmente os que salvam o filme de um elenco desastroso. Apesar disso, Awake é um filme simplesmente incrível, surpreendente, 100% original e muito envolvente. Aposta certa para todos os gostos!

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Titanic


Ficha Técnica:

Titanic (Titanic) EUA 1997

"A woman's heart is a deep ocean of secrets"

Diretor: James Cameron

Estúdio: Twentieth-Century Fox Film Corporation

Elenco: Kate Winslet, Leonardo di Caprio, Billy Zane, Kathy Bates, Bill Paxton.


E finalmente chegamos à marca de 100 filmes! Passamos por aventura, comédia, suspense, romance, ficção, fantasia, ação, mas ainda há muito, muito mais a ser descoberto! Desde os festivais, às polêmicas em torno de novos filmes, das estréias aos clássicos, dos beijos às brigas, Hollywood ainda tem muitas formas de nos encantar! Espero que continuem comigo nesta maravilhosa viagem pelo mundo do cinema, onde podemos ser quem quisermos e viver as aventuras que sempre sonhamos!

E agora de volta aos bastidores! O filme de hoje é Titanic que conta a história de uma jovem rica e sufocada pelas exigências da sociedade em que vive, em especial pela mãe e pelo noivo que não ama. Rose, tem seu mundo virado de cabeça para baixo quando embarca no lendário e dito indestrutível navio de luxo Titanic, e lá conhece o adorável, mas muito pobre jovem Jack Dawson. Jack e Rose se apaixonam e desafiam os padrões em uma deliciosa aventura amorosa, mas tudo será posto a prova quando o Titanic iniciar a tragédia que até hoje é conhecida como uma das mais traumáticas da história da navegação.

Titanic, dirigido pelo visionário diretor James Cameron, teve a maior bilheteria da história e é empatado com o épico "Senhor dos Anéis" pelo número de Oscars que levou para casa: 11 estatuetas no total, incluindo melhor filme e melhor diretor. Mas o filme foi indicado a 14 Oscars no total, transformando-o no recordista dos Academy Awards de Los Angeles. O filme apresentou uma incrível inovação em efeitos visuais, posicionando um espectador anteriormente encantado com uma história de amor, bem no meio da horrível tragédia que tirou centenas de vida e que teve como causa apenas a arrogância humana. Na primeira metade do longo filme, Kate Winslet (perfeita no papel de Rose) é apenas uma jovem desesperada, incapaz de respirar com todos os trejeitos que lhe são exigidos. Leonardo di Caprio (adoravelmente infantil no papel de Jack) é um rapaz de bem com a vida, sonhador, um artista que vê em Rose sua chance de um amor verdadeiro.

Superando os limites, o amor de Jack e Rose consegue se sobressair na tragédia que se segue, dando um contraste perfeito para os sentimentos de um navio outrora seguro. Quando tudo vai por água abaixo (até bem literalmente), a única coisa que não vemos mudar é o sentimento que surgiu com tanta rapidez entre Rose e Jack. Acusado diversas vezes de ser clichê, ou de ser superprodução demais (vai entender) Titanic faz justiça aos melhores elementos do cinema moderno, quebrando barreiras que devem ser levadas em conta em relação à época em que foi feito.


CURIOSIDADES: Ser ator nem sempre é fácil. Kate Winslet teve pneumonia ao filmar as sequências que se passavam dentro da água e Leonado di Caprio machucou a clavícula em uma cena onde usa um banco de madeira para arrombar um portão de ferro.

Titanic quebrou diversos recordes entre eles: maior número de indicações ao Globo de Ouro, produção mais cara da história (200 milhões de dólares), maior bilheteria da história (1.8 bilhões de dólares) e foi o primeiro filme a ser lançado em DVD/VHS enquanto ainda estava em exibição nos cinemas (feito que durou 281 dias). FONTE: CINEMATECA VEJA


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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ever After


Ficha Técnica:

Para Sempre Cinderella (Ever After) EUA 1998

"Desire. Defy. Escape"

Diretor: Andy Tennant

Estúdio: Twentieth Century Fox - Film Corporation

Elenco: Drew Barrymore, Anjelica Huston, Dougray Scott, Melanie Lynksey, Megan Dodds.


Para Sempre Cinderella narra a "verdadeira" história do lendário conto de fada por um ponto de vista completamente novo. A jovem e boa Danielle de Barbarac perde sua mãe quando nova e depois que seu pai se casa com a Baronesa Rodmilla de Ghent, também falece. A vida de Danielle se transforma em um inferno, onde a Baronesa e sua filha mais velha Margherite a obrigam a fazer todos os serviços da criadagem. Certo dia, ela conhece o príncipe da França Henry, e eles se apaixonam perdidamente. O problema é que Danielle finge ser uma Condessa e o seu amor correr o risco de ser arruinado pelos planos da cruel madrasta.

A história de Cinderella nunca foi contada com tanta emoção e humanidade como neste filme maravilhoso. Drew Barrymorre é verdadeiramente um anjo no papel da doce, mas forte Danielle de Barbarac e sua história de perseverança e coragem atravessa os séculos para dar lições de amor aos mais incrédulos. Danielle prova que é possível ser altruísta e bondosa, mesmo quando a vida judia dela constantemente. É justamente sua visão positiva e inovadora que faz com que o inseguro príncipe se apaixone por ela e passe a vê-la além dos títulos.

Ninguém podia ser melhor para o papel da madrasta do que a brilhante Anjelica Huston, que o executa com uma crueldade quase gentil, o que só a a torna pior. A história de amor de Henry e Danielle passa pelas mãos do rei e da rainha da França, da cruel madrasta e sua filha ainda pior, pelas dificuldades da posição, apenas para provar que o importante nao é viver feliz para sempre, mas simplesmente viver.


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domingo, 14 de setembro de 2008

Blindness


Ficha Técnica:

Ensaio sobre a Cegueira (Blindness) EUA 2008

"The only thing worse than being blind, is being the only one who can see"

Diretor: Fernando Meirelles

Estúdio: Focus Features

Elenco: Mark Ruffalo, Julianne Moore, Alice Braga, Gael Garcia Bernal, Danny Glover


Uma cidade (fictícia ou não esclarecida) é devastada por uma epidemia de cegueira que passa a ser conhecida como "cegueira branca" já que ao invés da ausência de cores, o doente passa a ver o mundo cem por cento branco. A doença é altamente contagiosa e os primeiros infectados são isolados em quarentena em um hospital abandonado e sem recursos, onde recebem comida racionada, vivem em condições de pouca higiene e instalam o caos.

Horrível. Esta é a palavra exata para descrever Ensaio sobre a cegueira. Mas não estou falando do filme, nem da execução, nem dos atores. Estou falando da condição a qual os seres humanos são facilmente reduzidos por uma terrível epidemia. Não é difícil pintar um quadro da situação: cegos desconhecidos, vivendo em um lugar sem cuidados, defecando no chão, comendo o que lhes põe na frente e lentamente sendo degradados, tendo a dignidade roubada de forma rude e primitiva. As situações que são apresentadas aos personagens são absolutamente horripilantes: não pelo fato de serem cegos, mas pelo egoísmo com que algumas pessoas conseguem transformar a vida de outras em um inferno na Terra.

A direção do brasileiro Fernando Meirelles, é uma das melhores que já vi e ele consegue transmitir com perfeição para o espectador (muitas vezes indignado) o nojo, a repulsa e a dificuldade de se viver na condição de um animal, maltratado, sujo, incapaz de cuidar de si próprio. A cena de abuso sexual, para os de estômago forte, teve de ser modificada depois de sérias críticas à violência explícita que ali se expunha. É desconcertante ver como todos os valores que nos são cuidadosamente ensinados durante a vida, se esvaem na hora da sobrevivência animalesa, onde o que prevalece é a lei do mais forte. A excelente Julianne Moore interpreta a única mulher capaz de enxergar neste universo de loucos, e descobre que talvez fosse melhor estar cega, já que ela presencia (em segredo) todas as barbáries em primeiro plano. Mas no fim das contas, é sua bondade e paciência que voltam a mostrar às pessoas que elas são mais fortes juntas, mas que nem sempre isto é possível.

O filme é feito para pensar. Para refletir sobre o que nos torna humanos, sobre até que ponto somos altruístas. Garanto que você não sairá da sala de cinema se sentindo despreocupado. A função de Meirelles foi cumprida quando ele dá ao espectador a sensação de angústia inevitável de um bom filme sobre as complexidades humanas.


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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Pride and Prejudice


Ficha Técnica:

Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice) EUA 2005

"Sometimes, the last person on earth you wanna be with, is the one you can't be without"

Diretor: Joe Wright

Estúdio: Focus Features

Elenco: Keira Knightley, Rosamund Pike, Donald Sutherland, Simon Woods, Mathew Mcfayden


Na Inglaterra georgiana, cinco irmãs de família humilde, Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia tem suas vidas viradas de cabeça para baixo quando o rico Sr. Bingley e o amigo Sr. Darcy lhes fazem uma visita. A perspectiva de um bom casamento é excelente para a família que necesita do dinheiro para subir de vida e assegurar o futuro. O Sr. Bingley se apaixona pela bela irmã mais velha Jane e a pede em casamento. Enquanto isso, uma estranha relação se estabelece entre o fechado e orgulhoso Sr. Darcy e a irreverente e também orgulhosa Elizabeth que trava constantes brigas com o estranho, até perceber que um sentimento está surgindo devido às suas inúmeras semelhanças.

Orgulho e Preconceito, assim como seu "sucessor" "Desejo e Reparação", conta principalmente com lindos cenários e boas atuações. Pela primeira vez, Keira Knightley me conquistou (ainda não acho a atuação digna do Oscar para o qual foi indicada mas...) com o papel de Elizabeth, uma mulher muito a frente de seu tempo, que não possuía paciência alguma pelas idolatrias das famílias ricas ou pelos tediosos bailes e conversas. Uma moça rebelde, que tem seu coração arrebatado pelo homem mais frio e mais desprezível aos seus olhos, prova de que o amor é constantemente confundido com o ódio.

O pouco conhecido Matthew Mcfayden é charmoso, conquistador e um cavalheiro que sem dúvida povoa os sonhos de todas as mulheres que assistem à sua brilhante atuação em Orgulho e Preconceito. Igualmente boas, estão os veteranos Donald Sutherland que faz o papel do cansado pai de Elizabeth e Judi Dench, em breve, mas marcante aparição no papel da seca e pretensiosa Lady Catherine de Bourg. A boa fotografia e bons atores marcam Orgulho e Preconceito como um dos melhores e mais elegantes romances desta geração. Uma excelente escolha!


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